PROJETOS DA COPA 2014 EM MANAUS

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domingo, 23 de setembro de 2012

METRÓPOLE SEM AUTOMÓVEL É POSSÍVEL?

FONTE: http://web.observatoriodasmetropoles.net/index.php?option=com_k2&view=item&id=375%3Ametr%C3%B3poles-sem-autom%C3%B3vel-%C3%A9-poss%C3%ADvel%3F&Itemid=164&lang=pt

O relatório organizado pelo Observatório das Metrópoles a partir das informações fornecidas pelo DENATRAN traz tabelas e gráficos para cada uma das metrópoles brasileiras. Acesse aqui o relatório “Metrópoles em números: Crescimento da frota de automóveis e motocicletas nas metrópoles brasileiras 2001/2011”.
Movimento Bicicletada
 
As metrópoles brasileiras têm enfrentado nos últimos anos uma crise de mobilidade urbana, resultante, sobretudo, da opção pelo modo de transporte individual em detrimento das formas coletivas de deslocamento. É o que mostra o relatório organizado pelo INCT Observatório das Metrópoles que aponta a explosão do número de automóveis e motocicletas nas metrópoles brasileiras. Entre 2001 e 2011, o número de automóveis nas 12 metrópoles aumentou de 11,5 milhões para 20,5 milhões. Já as motocicletas passaram de 4,5 milhões para 18,3 milhões nestes mesmos dez anos. A partir desses dados e no contexto da Semana da Mobilidade Urbana e do Dia Mundial Sem Carro (22/09), resta uma única pergunta a fazer: metrópoles sem automóvel é possível?
 
Um caso bastante emblemático é o de Belém, onde o número de motocicletas aumentou em quase dez vezes, passando de 13.969 em 2001 para 112.905 em 2011. Outro dado que vale destacar é o crescimento no número de motos em São Paulo. Na maior e mais importante metrópole do país, elas passaram de pouco mais de 400 mil para 1,4 milhões.
 
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD/IBGE) têm revelado também que um maior número de pessoas leva mais tempo em seus deslocamentos cotidianos. Tem-se tornado um martírio enfrentar longas distâncias, engarrafamentos e as constantes panes do sistema público de transporte. Uma verdadeira via-crúcis. Na região metropolitana de Belo Horizonte, por exemplo, o percentual de pessoas que levavam mais de uma hora no trajeto casa trabalho passou de 13,5%, em 2001, para 16,5%, em 2008. Em São Paulo, o recorde de congestionamento, que foi batido por duas vezes no mesmo dia em 2009, chegou a 294 km. Nesse mesmo período, Belém aumentou por 10 vezes o número de motocicletas e em São Paulo elas passaram de 400 mil para 1,4 milhão.
 
Nas metrópoles brasileiras, segundo dados do Censo 2010, mais 13 milhões de pessoas se deslocam diariamente entre seus municípios, seja para trabalhar ou estudar. Para aqueles que utilizam o transporte público, entre todas essas dificuldades, soma-se ainda o alto preço das tarifas, complicador maior no caso de mercados de trabalhos organizados na escala metropolitana e que exigem deslocamentos cada vez mais distantes, baldeações e trocas intermunicipais. É diante de uma situação tão grave que pode-se falar em uma “crise da mobilidade”. Crise resultante, sobretudo, da opção pelo modo de transporte individual em detrimento das formas coletivas de deslocamento.
 
No artigo “Da crise da mobilidade ao apagão urbano”, o coordenador nacional do Observatório das Metrópoles, Luiz Cesar Queiroz Ribeiro, e o pesquisador do instituto Juciano Rodrigues mostram que tem ocorrido no Brasil, nos últimos anos, um expressivo aumento no número de automóveis. O ritmo de crescimento dos carros supera o da população na maioria das 15 metrópoles brasileiras, onde a população cresceu por volta de 10,7% e o número de automóveis aumentou em 66% entre 2001 e 2010, resultado de um aumento em torno de 920 mil carros a cada ano.
 
Nas metrópoles temos hoje 3,3 habitantes para cada veículo de passeio, o que corresponde aproximadamente a um veículo para cada domicílio. Algumas delas, porém, apresentam o índice de habitantes/veículos ainda menor. Como são os casos de Curitiba, com 2,2 hab/veiculo, Campinas com 2,3 hab/veículo, Florianópolis e São Paulo, com 2,5 hab/veículo cada uma. Outras metrópoles, sentindo o reflexo do crescimento expressivo no número de automóveis, apresentam o índice bem próximo a essas já mencionadas. Como são os casos de Belo Horizonte, Brasília e Goiânia. Na metrópole mineira o índice de habitantes por veículo caiu de 5,2 para 3,1 entre 2001 e 2010, resultante de um aumento de 88,5% do número de automóveis. Em Brasília, considerando sua região de desenvolvimento integrado, no mesmo período esse aumento foi de 86,6%, enquanto sua população aumento em 20,4%, com isso seu índice de hab/veículo passa de 4,7 para 3,2. Em Goiânia, onde o aumento no número de veículos foi de 81,5%, o índice passou de 4,4 para 3,0 hab/veículo.
 
Para o Observatório das Metrópoles, o Brasil repete nesta fase de crescimento econômico os mesmos erros cometidos na década de 1950, quando o país iniciou a industrialização como motor de desenvolvimento: a omissão da ação planejadora do Estado em seus vários níveis de governo. Ao subordinar as grandes cidades às necessidades de produção e de consumo. Quando há ações de governo, são intervenções que desconsideram a cidade em sua complexidade e seu tamanho, limitando-se a projetos e abrindo mão da função do sistema de mobilidade urbana como parte da estrutura da cidade.
 
E quais seriam as soluções para o setor? Como projetar uma mobilidade sustentável para o Brasil? O Observatório das Metrópoles defende uma efetiva Reforma Urbana cujo desenho implicaria na mudança do modelo urbano brasileiro e, consequentemente, na construção de um projeto de reforma das cidades do país. Sendo que a transformação do padrão de mobilidade urbana é, sem dúvida, um dos fronts mais importante da luta por este projeto. Teremos, por exemplo, capacidade e coragem de aceitar a instituição de pedágios nas áreas centrais das metrópoles? Estaremos dispostos a empreender ações contra a realização das vultosas e ineficientes obras de infraestrutura que incentivam a autolocomoção nas metrópoles?

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