Atualizado em 11 de julho,
2012 - 14:29 (Brasília) 17:29 GMT
Teixeira recebeu ao menos US$ 13 milhões em
propinas
A Fifa divulgou nesta quarta-feira um documento que confirma
que o ex-presidente da entidade, o brasileiro João Havelange, e o ex-dirigente
da CBF, Ricardo Teixeira, receberam uma soma equivalente a milhões de reais em
propinas.
De acordo com o documento, entre 1992 e 1997, Teixeira recebeu pelo menos
12,74 milhões de francos suíços (equivalentes a R$ 26 milhões, nos valores de
conversão atual) da empresa de marketing esportivo ISL (International Sports and
Leisure), que pediu falência em 2001.
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O documento mostra que Havelange recebeu 1,5 milhões de francos suíços (R$
3,1 milhões) em 1997.
Pagamentos feitos entre 1992 e 2000 e atribuídos a contas relacionadas aos
dois totalizam quase 22 milhões de francos suíços (R$ 45 milhões).
A Fifa divulgou os documentos horas depois de a Suprema Corte Suíça ter
decidido que a imprensa deveria receber detalhes do caso.
Teixeira e Havelange foram os dois únicos ex-dirigentes da entidade cujas
identidades foram reveladas.
Em nota divulgada também nesta quarta-feira, a Fifa expressa "satisfação" com
a decisão da Justiça suíça e diz que ela está de acordo com o processo de
reformas iniciado pela instituição no ano passado, para torná-la mais
transparente.
Demissão
Em março, Teixeira deixou o Comitê Executivo da Fifa e as presidências da CBF
e do Comitê Organizador Local (COL) da Copa de 2014 "em caráter
irrevogável".
A gestão de Teixeira na CBF foi marcada por denúncias de irregularidades.
Em 2010, uma reportagem do programa de televisão Panorama, da BBC, revelou
que a Fifa impedia a divulgação de um documento que revelaria a identidade de
dois dirigentes da entidade forçados a devolver dinheiro de propinas em um
acordo para encerrar uma investigação criminal na Suíça, em 2010.
Segundo o programa, um dos dirigentes era Teixeira e o outro, Havelange,
informações confirmadas na divulgação desta quarta-feira.
O acordo encerrou uma investigação sobre propinas pagas a altos dirigentes da
Fifa na década de 1990 pela ISL.
Até a falência em 2001 a ISL comercializava os direitos de televisão e os
anúncios publicitários da Copa do Mundo para anunciantes e patrocinadores.
Em 27 de dezembro de 2011, a Justiça suíça ordenou que a Fifa abrisse em até
30 dias os documentos do caso ISL, o que não ocorreu. Também em 2011, a Polícia
Federal brasileira abriu investigação sobre a denúncia.
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