FONTE:
http://www.jb.com.br/rio/noticias/2012/07/06/populacao-queixa-se-de-desinformacao-sobre-desapropriacoes-no-rio/
Descontentes com as últimas desapropriações para as obras da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, moradores de comunidades do Rio cercaram o secretário municipal de Habitação, Jorge Bittar, para queixar-se da desinformação sobre o reassentamento das famílias que já foram ou serão desapropriadas na cidade.
Segundo dados da Secretaria Municipal de Habitação do Rio de Janeiro, 200 mil famílias já foram cadastradas pela Prefeitura para receber unidades habitacionais, pois terão que abandonar suas residências. Na contramão, apenas 18 mil já receberam as chaves das moradias. Ou seja, menos de 10% dos que aguardavam na fila da Prefeitura. É o caso do motorista Antônio Honório.
"Eu e minha família fomos cadastrados em julho de 2010. Com as obras de reforma do Maracanã, minha casa está cheia de poeira e muito lixo no entorno. Cansei de ir à Prefeitura e não obter nenhuma informação. Só vejo a situação piorar. Estou morando praticamente dentro de um canteiro de obras e não recebo as chaves de uma nova residência nem o valor do aluguel social", reclamou o morador da comunidade Metrô Mangueira, localizadas nas proximidades do Estádio Mário Filho (Maracanã).
Junto com a mulher, o motorista esteve na inauguração do empreendimento Bairro Carioca, nesta sexta-feira (6), para conhecer as unidades habitacionais entregues a outras famílias. "Também quero ter o direito de desfrutar de uma casa fora da favela. Sem esgoto a céu aberto, mas a Prefeitura é muito lenta. Atende um e esquece os outros", queixou-se.
A dona de casa Valdicéia Aguiar, que vive com a mãe deficiente, segue em situação parecida. Ela recebeu ordem de despejo há cerca de 60 dias, por viver em área de risco na Favela da Cobal, em Benfica (Zona Norte do Rio). A solução para o problema parece longe do fim:
"A Prefeitura me disse que vou ter que sair da minha casa, porque constataram que eu moro numa área de risco. Mas eu não tenho para onde ir. Me mandaram sair, mas não depositaram o aluguel social. O atraso no pagamento já dura 25 dias. A hora que demolirem a casa, o que eu vou fazer?", disse, preocupada. "Tem que construir mais apartamentos. O que tem sido feito é pouco para suprir todos os despejados pelo prefeito", apontou.
Questionado pelo Jornal do Brasil sobre os problemas de desinformação e déficit habitacional, o secretário Jorge Bittar defendeu-se:
"Temos uma grande demanda por habitações no município, não nego. O que acontece é que estamos construindo outros empreendimentos para atender a população. Acabamos de adquirir um novo terreno que pertencia à Oi. Lá, construiremos o Bairro carioca II para os moradores do Jacaré e de algumas outras localidades próximas. Só neste empreendimento alocaremos mais 1200 famílias", exemplificou o secretário.
Indagado sobre a necessidade de construção de empreendimentos em outras áreas da cidade, Bittar citou mais um. Desta vez, na Zona Oeste:
"Estamos terminando de desenvolver o projeto para os apartamentos da Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá, que terá um mercado popular, uma escola, além de creche. Neste projeto, vamos entregar as chaves para 1.500 famílias", disse, sem fixar uma data para entrega. "Vamos ver. Ainda estamos na fase do projeto", limitou-se
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