PROJETOS DA COPA 2014 EM MANAUS

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sexta-feira, 16 de março de 2012

O VETO À CERVEJA, E A FALSA SOBERÂNIA.


Tenho um pesadelo recorrente. Vira e mexe sonho que dormi demais e acordo só na semana seguinte. Quando me levanto e me dirijo aos jornais, já não reconheço o mundo que deixei antes de dormir: o líder do campeonato não é mais o mesmo,  gente que estava na crista da onda já não é mais importante (muitos nem vivos estão), o que era proibido passa a ser permitido, e o que era permitido passa a ser proibido.

Matheus Pichonelli

Se estivesse dormindo há uma semana e acordasse agora, por exemplo, tomaria um susto: Jucá e Vaccarezza não são mais interlocutores do governo no Congresso, Ricardo Teixeira caiu de maduro, o ministro do Desenvolvimento Agrário agora é outro e o Corinthians desistiu de esperar Adriano (há uma semana, ele fazia gol e todos falavam “agora vai”).

Mas nada me deixa mais confuso do que a Lei Geral da Copa. Fecho o jornal num dia, abro no outro e tenho a impressão de que dormi meses. Cada hora é uma regra que entra, outra que sai e eu não sei até agora com que roupa vamos para o Mundial.
 
Enquanto o governo não se decide (até o fechamento deste texto o veto à bebida tinha caído), a cerveja nos estádios já virou questão nacional. Todos sabem que a Fifa é uma entidade privada com regras claras para promover um Mundial. Dá aos países o direito de sediar os jogos – e faturar com turistas e outras atrações – mas em troca leva um circo pré-montado. Quem não aceita as regras tem a possibilidade de não convidar o visitante – e quem convida já faria muito se vigiasse o ralo de dinheiro público empregado em elefantes brancos descartáveis após um mês de jogos.

Mesmo assim o festival de besteiras que assola o País, com o perdão ao velho Stanislaw Ponte Preta, fez com que a liberação (ou não) de bebida alcoólica nos estádios colocasse em risco a soberania nacional. O bate-cabeça sobre a regra, provocado em parte pela troca de interlocutores governistas no Congresso, mobilizou e quase gerou uma crise entre ministros, parlamentares, empresários, lobistas, o papa e a bancada religiosa (e cada vez que eles falam sobre o céu mais fico tentado a pedir asilo no inferno)…

Uma coisa garanto: nas periferia das cidades-sede a população não poderia se importar menos com a questão. Como brasileiro e torcedor, não me incomodo nem um pouco se vier cerveja estrangeira para as arquibancadas – até porque, ao que tudo indica, não estarei na arquibancada em 2014.

O que me incomoda é a patrulha montada sobre a questão – e, nessa, quem chama brasileiro de idiota não é a Fifa nem outra entidade , mas os próprios brasileiros, que se assumem como animais capazes de produzir hecatombes caso cheguem perto de bebida alcoólica.

É possível que garrafas, latas de cerveja ou qualquer outro objeto cortante possam virar armas de destruição em massa nas mãos de uma multidão enraivecida. Que usem copos de plástico ou isopor.

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