ASSISTAM AO VÍDEO NO SITE DA UOL, COLOCADO NA FONTE DA MATÉRIA.
Do UOL, no Rio de Janeiro
Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Área onde ficava o boneco gigante do tatu-bola mascote da Copa do Mundo de
2014, em Brasília
Um vídeo do esfaqueamento do mascote inflável da Copa do Mundo de 2014 que
estava exposto em Brasília foi divulgado na internet. A sequência mostra o
momento em que uma pessoa fura o boneco. O vídeo também questiona a realização
do Mundial no Brasil.
Ele foi publicado em um site. Não há informações sobre quem o divulgou nem
sobre os autores do ataque ao tatu-bola símbolo da Copa do Mundo. A única
identificação disponível sobre o arquivo é a do usuário que o postou na
internet: Tatu Morto.
Na página do vídeo, também foi publicada uma carta. Nela, as pessoas que
supostamente teriam esfaqueado o boneco justificam o ato. Segundo eles, a
“morte” do tatu “é uma resposta a todo cinismo, corrupção e violência que os
verdadeiros vândalos das grandes empresas e do governo impõe” à sociedade para
promover a Copa (leia carta abaixo).
O UOL Esporte tentou nesta segunda-feira contato com o
usuário que publicou o vídeo na internet. Não obteve resposta.
O ataque ao tatu-bola em Brasília ocorreu na terça-feira passada. A réplica
inflável do símbolo do Mundial estava instalada na Esplanada dos
Ministérios.
O incidente foi o segundo do tipo ocorrido no país. Antes,
um mascote havia sido danificado em Porto Alegre. No
sábado, mais um mascote foi atacado, desta vez, em São Paulo.
Mascote da Copa-2014 é furado em São Paulo

Manifestantes
derrubaram o mascote da Copa do Mundo durante o Panelaço "A cidade é nossa"
feito no Vale de Anhangabaú, na cidade de São Paulo (13/10/2012) Simon
Plestenjak/Folhapress
Confira a íntegra da carta públicada junto com o vídeo do ataque ao mascote
em Brasília:
Invasões Bárbaras
Vândalos invadiram a esplanada; bárbaros estrangeiros enfiando guela
abaixo sete metros de material sintético vestindo o brasão das potências
estrangeiras. Seguranças protegem o Tatu Cola, estandarte do exército inimigo,
mas o verdadeiro tatu bola, sem segurança, continua em extinção.
A morte do Tatu Cola na Esplanada dos Ministérios não foi um ato de
vandalismo nem um protesto contra a Coca Cola em si, muito menos contra os nomes
estúpidos sugeridos para o infame boneco, como foi veiculado pela grande mídia.
É claro que essa mídia corporativa, que recebe verba das grandes empresas e
sobretudo o GDF, não iria refletir sobre o ato que na verdade foi uma expressão
de repúdio aos grandes opressores e oportunistas que estão por trás do evento da
Copa do Mundo no Brasil.
Pra quem é feita a copa? Os ingressos caros apenas poderão ser adquiridos
por uma minoria rica (o fim da meia entrada já exclui os incômodos estudantes);
o acarejé, Patrimônio Imaterial da cultura brasileira, não poderá ser
comercializado pelas tradicionais baianas nas imediações dos estádios, pois lá
só os patrocinadores oficiais da FIFA (Coca Cola e McDonalds) terão primazia
para matar a fome de gols dos entusiasmados compatriotas.
Nas cidades sedes a população pobre é despejada violentamente das
proximidades dos estádios. Em Brasília foram investidos 3 trilhões de reais nas
obras de infraestrutura do mega evento, enquanto um Zé Ninguém espera semanas
com o corpo cheio de fraturas expostas para uma cirurgia nos hospitais públicos.
Os trabalhadores usam o pior transporte público do país para morrerem anônimos
em obras superfaturadas. O país inteiro ainda clama por verbas para ter uma
educação decente e este evento e seus patrocinadores ignoram as necessidades
básicas da esmagadora maioria da população.
Por isso a “morte” do Tatu Cola não é um ato de vandalismo é uma resposta
a todo cinismo, corrupção e violência que os verdadeiros vândalos das grandes
empresas e do governo impõe, com ajuda da mídia, às vozes dissonantes.
Será que as crianças querem olhar o buraco de um tatu de plástico?
Aplaudir um jogo comprado que sustenta a destruição dos nossos patrimônios
naturais e culturais? Nós queremos futebol, mas queremos que o esporte seja a
afirmação das nossas riquezas, a alegria do POVO, e não meio de enriquecimento
ilícito de poucos e arma alienação em massa.
Mascote da Copa-2014
Espaço
deixado pela réplica gigante do tatu-bola que estava posicionada em Brasília,
mas foi esfaqueda por vândalos Marcello Casal Jr./ABr

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