Governador diz que o prédio está "no meio do caminho de uma concepção de segurança"
Apesar de reconhecer que a demolição do antigo Museu do Índio, no Maracanã, não foi uma exigência da Fifa, como havia declarado na semana passada, o governador Sérgio Cabral voltou a defender a demolição do prédio que, para ele, não tem valor histórico. Segundo Cabral, a construção está "no caminho de uma concepção de segurança" e o destino dos cerca de vinte índios que vivem no local não lhe diz respeito.
O líder dos indígenas, cacique Carlos Tucano, cobrou que as autoridades ofereçam como alternativa "um lugar digno", caso o antigo museu realmente seja demolido. No entanto, Cabral surpreendeu ao dizer que o destino da aldeia não lhe diz respeito:
Índios criticam governantes e prometem "não arredar pé"
Horas antes da declaração de Cabral, os índios receberam a visita do antropólogo Mércio Gomes e de outros técnicos do atual Museu do Índio, em Botafogo. Eles se reuniram para traçar estratégias de resistência e mobilização da sociedade civil.
Para Gomes, os moradores da aldeia devem seguir buscando ajuda de diversos setores da sociedade, assim como estreitar o contato com lideranças políticas:
"Eles estão buscando apoio com um grupo difuso de pessoas relacionadas com movimentos sociais e da juventude. Também têm políticos como o Marcelo Freixo, o Reimont e o Fernando Gabeira, com quem já entraram em contato. E também vão buscar contato com as figuras relacionadas ao nacionalismo brasileiro, ligadas ao Darcy Ribeiro e Marechal Rondon", afirma.
Cretinice
O antropólogo lembrou que não ia ao local desde 1975, quando o antigo museu ainda estava em funcionamento, e se emocionou ao rever o prédio, que classificou como "majestoso".
"Subi aquelas escadas e tinha muito tempo que eu não o visitava. É inacreditável ele [Sérgio Cabral] não saber que tem valor histórico nesse local. Ele joga fora todos os pareceres técnicos por causa dessa cretinice que reina nesse governo estadual", questionou.
O cacique Carlos Tucano, líder do grupo de índios que vive no local, cobrou das autoridades uma postura que garanta a sobrevivência da cultura nativa:
"Esperamos que os governos venham dizer qual será o nosso destino. Não vamos arredar pé. Não sou contra a Copa do Mundo e a alegria do povo, mas queremos um local digno", cobrou o cacique. Para ele, o desrespeito com a população nativa ao lado do palco da final da Copa é "uma mensagem muito ruim" para o mundo.
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