Daniela Fernandes
Detalhe de cartaz que anuncia seminário sobre turismo sexual
infantil
Após a divulgação em Paris de um estudo que mapeia a relação
entre o turismo de lazer e a exploração sexual de menores no Brasil,
pesquisadores e especialistas fizeram um alerta nesta terça-feira sobre o risco
de um aumento do turismo sexual infantil no país durante a realização da Copa de
2014 e Olimpíada de 2016.
O estudo, coordenado por um pesquisador do Sesi (o Serviço Social da
Indústria), foi divulgado nesta terça-feira (dia 23) durante o seminário
internacional "Turismo Sexual Envolvendo Crianças e Grandes Eventos Esportivos",
que reuniu organizações de luta contra a exploração sexual infantil e
profissionais do setor de viagens de diversos países.
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O pesquisador Miguel Fontes, que além de atuar na área de pesquisas
estratégicas do Sesi também está ligado à Universidade John Hopkins, analisou a
relação existente entre o número de entradas de turistas estrangeiros em São
Paulo e na Bahia de 2008 a 2010 e o total de denúncias de exploração sexual
infantil nesses dois estados no período.
"Na Bahia, onde o turismo é de lazer, os resultados demonstram que para cada
372 turistas internacionais, houve o aumento de uma denúncia de exploração
sexual de crianças. Em São Paulo, onde o turismo de negócios é maior, somente
com o aumento de 2,5 mil turistas se detecta o aumento de uma denúncia de
exploração sexual infantil", diz Fontes.
"A exploração sexual de crianças e adolescentes está ligada às atividades
turísticas de lazer. Por isso, podemos projetar que a realização de grandes
eventos esportivos mundiais, ao promover um aumento do fluxo de pessoas (para o
Brasil), pode ampliar o número de casos desse tipo", conclui o consultor.
Perfil das vítimas e campanha
Segundo Fontes, as crianças exploradas sexualmente no Brasil têm por volta de
11 anos em média. As meninas representam quatro de cada cinco casos de
denúncias. E a região nordeste concentra 37% dos casos.
O ministério brasileiro do Turismo prevê 600 mil turistas estrangeiros e 5
milhões de visitantes brasileiros só durante a Copa do Mundo, em 2014.
"O grande fluxo de pessoas aumenta as possibilidades de exploração sexual de
crianças. A miséria cria a oferta de menores e as redes mafiosas vão querer
suprir a demanda", afirma Jair Meneguelli, presidente do Conselho Nacional do
Sesi.
A campanha da ECPAT, intitulada "Não desvie o olhar", prevê vídeos e pôsteres
que serão exibidos em aeroportos, aviões, agências de viagens, bares,
restaurantes e outros espaços públicos em dez países da Europa e também no
Brasil.
Também prevê a criação de um um site europeu para denúncias.
Ela custará 3 milhões de euros, que serão financiados principalmente por
recursos da União Europeia.
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