PROJETOS DA COPA 2014 EM MANAUS

PROJETOS DA COPA 2014 EM MANAUS

terça-feira, 16 de outubro de 2012

MÉDICOS DEFENDEM PARADA TÉCNICA DURANTE PARTIDAS DA COPA DO MUNDO DE 2014 EM MANAUS.

FONTE: http://www.d24am.com/esportes/futebol/medicos-defendem-parada-tecnica-durante-partidas-da-copa-do-mundo-em-manaus/71268

Alta temperatura em Manaus durante período de jogos pode afetar desempenho dos jogadores na futura Arena da Amazônia, que deve ser concluída somente em dezembro de 2013.

[ i ] Calor intenso afeta desempenho físico em atividades como o futebol. Foto: Nelson Ayres/ Divul. Calor intenso afeta desempenho físico em atividades como o futebol.
Manaus - Manaus receberá quatro jogos da Copa do Mundo em 2014. Dois serão às 15h, um às 16h e apenas o primeiro começará às 21h. Em função das partidas à tarde, seleções de alto nível técnico tendem a ter o desempenho prejudicado e as disputas na Arena da Amazônia perderão qualidade com a queda de rendimento dos atletas provocada pelo calor.
Os horários escolhidos pela Federação Internacional de Futebol (Fifa) para atender a interesses comerciais ignoram diagnósticos da medicina. Nela consta a orientação difundida por médicos de todas as especialidades: atividade física deve ser praticada até às 10h e após as 16h.
O cardiologista Gerssey da Silva Oliveira, que já trabalhou como médico do Rio Negro-AM durante nove anos, lembra que apesar do horário não ser o recomendado, há como administrar o desgaste. “A performance vai diminuir. É necessário hidratação antes, depois e principalmente durante a atividade física. Neste caso, seria necessário o intervalo técnico para a reposição de sódio e potássio dos jogadores”, ressaltou.
A fisiatra e médica do trabalho Núbia Ribeiro explicou que a prática de atividade física de resistência chega a representar a perda de 2 até 4,6 quilos em uma hora. “Isso em condições quentes e úmidas, essencialmente pela perda de suor. A perda de suor é suficiente para reduzir o peso corporal em 3%, diminui o desempenho físico e uma queda rápida de5 a10% do peso pode acarretar câimbras musculares, náuseas e outros efeitos. Portanto é essencial que sejam repostos os líquidos à medida que vão sendo perdidos”, acrescentou.
Segundo o preparador físico José Said Filho, o rendimento dos jogadores pode decair até 20% por influência das condições do clima. “Com o calor e a umidade, o desgaste físico torna-se mais intenso, fazendo com que haja uma perda de 15% a 20% de rendimento, pois o aumento da temperatura corporal faz com que o atleta passe a transpirar mais e corre o risco de se desidratar mais cedo”, revelou Said.
Em competições de alto rendimento, há uma tendência natural de aumento da temperatura corporal, independente dos fatores externos. “Nas competições de resistência, mesmo em condições ambientais normais, a temperatura corporal sobe frequentemente do nível normal médio de 37 ºC para 40 ºC, isso porque quase toda a energia utilizada para gerar trabalho muscular se transforma em calor corporal”, lembra Núbia.
“Essa alta temperatura interna também duplica os ritmos de todas as reações químicas intracelulares, liberando assim ainda mais calor. Em condições muito quentes e úmidas ou com grandes excessos de uniformes atléticos, a temperatura corporal pode atingir 42 graus. Nessa situação pode haver falha do sistema regulador da temperatura, o que causa desnaturação das proteínas intracelulares”, descreveu Núbia Ribeiro.
Menos exigênio e maior temperatura
O prejuízo no rendimento dos atletas pode ser diminuído consideravelmente se as medidas preventivas corretas forem adotadas pelas seleções que jogarãoem Manaus. Segundoos especialistas, a aclimatação, alimentação e hidratação devem ser prioridades das comissões técnicas.
A combinação entre altas temperaturas e atividade física intensa pode ser perigosa aos atletas de outros países, desacostumados com o clima amazônico. Conforme a fisiatra Núbia Ribeiro, é necessária a adaptação antecipada, pois a quantidade de oxigênio presente no ar de Manaus é diferente das outras localidades do mundo. “A quantidade de calor que nosso organismo gera internamente é diretamente proporcional ao consumo de oxigênio e esse consumo pode aumentar em até 20 vezes no atleta bem treinado, o que significa que enormes quantidades de calor são injetadas nos tecidos corporais internos durante as provas atléticas de resistência”, exemplificou.
Os tecidos corporais, principalmente os músculos, geram muito calor dentro do organismo fazendo com que a temperatura interna suba de 37 ºC para 40 ºC.
Além disso, somando-se essa enorme velocidade de fluxo térmico para dentro do corpo a um dia muito quente e úmido, no qual o mecanismo da sudorese não consegue eliminar o calor, o atleta pode deparar-se facilmente com uma situação intolerável e até mesmo letal denominada intermação (a temperatura corporal pode subir facilmente até 41 ou 42 graus, nível de temperatura que pode destruir as células teciduais, principalmente as do cérebro. Aí a pessoa pode sentir fraqueza, exaustão, dores de cabeça,vertigens, náuseas, sudorese profusa, confusão mental, marcha cambaleante e desmaio). “Se não houver intervenção imediata pode acarretar até a morte”, alertou Ribeiro.
As intervenções citadas pela fisiatra são: remover toda a roupa do atleta, manter um borrifo de água sobre todas as superfícies do corpo ou molhá-lo continuamente, caso não exista possibilidade de imergi-lo totalmente em uma banheira com água gelada.

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