NATALY COSTAUm megaguindaste usado nas obras do estádio do Itaquerão, na
zona leste de São Paulo, está dando dor de cabeça para os pilotos de helicóptero
e para o Serviço Regional de Proteção ao Voo de São Paulo (SRVP-SP).
O equipamento tem 114 metros de altura, o equivalente a um prédio de 40 andares, e está montado em um local com cota de terreno de 790 metros – ou seja, um total de 904 metros, segundo a Odebrecht, empreiteira responsável pelas obras do estádio.
A Associação Brasileira de Pilotos de Helicóptero (Abraphe), porém, afirma
que o guindaste está quase 100 metros acima da altura informada e fica no meio
do caminho de helicópteros que sobrevoam a região.
Por causa disso, o grupo de comandantes da associação foi alertado para ter
“atenção redobrada” na área.
“Tivemos um helicóptero que sobrevoou a região,
passou bem próximo do guindaste e viu que está mais alto do que o informado às
autoridades aeronáuticas”, disse o comandante Rodrigo Duarte, presidente da
Abraphe.
“Durante o dia, com tempo bom, tudo bem, você vê e desvia. O
problema é à noite, com tempo ruim e restrição de visibilidade. E não é ruim só
para helicóptero.”
O megaguindaste também está na rota do Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos,
segundo o Serviço Regional de Proteção ao Voo de São Paulo. Por isso, e também
para orientar os helicópteros, a Aeronáutica expediu um Notam – espécie de
alerta sobre determinada região do espaço aéreo – para informar oficialmente os
pilotos da presença do obstáculo na área.
“O guindaste em apreço viola superfície horizontal do Aeroporto de Guarulhos.
Para o caso, requer-se unicamente a publicação do obstáculo, a fim de que as
empresas aéreas tomem conhecimento e estabeleçam seus procedimentos de
contingências. Até agora nenhuma operadora ofereceu qualquer reclamação.”
A Odebrecht afirma que o guindaste “segue instalado no canteiro até o término
do assentamento de todos os módulos que vão constituir a cobertura” do estádio.
“O equipamento é importante por oferecer a instalação com precisão e segurança
das estruturas metálicas da cobertura das arquibancadas, um imponente teto de
aço e vidro cuja altura máxima chegará a quase 60 metros em relação ao gramado
na obra.”
A previsão é de que o futuro estádio do Corinthians fique pronto em dezembro
do ano que vem, a tempo da Copa.
Como a própria Aeronáutica recomenda que os helicópteros mantenham uma
distância de mais de 150 metros de qualquer obstáculo quando sobrevoam “cidades,
povoados e lugares habitados”, depois da denúncia da associação, o órgão vai
averiguar qual a real altitude do guindaste.
A autorização solicitada pela Odebrecht foi para erguer um equipamento que,
no total, chegaria a 910 metros. Mas “a associação está afirmando que este
guindaste teria 975 metros no topo. Será verificada a necessidade de sinalização
do equipamento”, disse a Aeronáutica.
A Abraphe quer ainda que o Notam seja estendido para todo o espaço aéreo de
São Paulo, não apenas para quem tem como origem ou destino o Aeroporto de
Guarulhos. “Ali é ponto de chegada para o Campo de Marte e rota para quem vem do
interior. O alerta precisa ser abrangente”, afirmou Rodrigo Duarte.
O presidente da Abraphe garantiu ainda que há outros casos de obras em São
Paulo cujos guindastes são obstáculos no espaço aéreo. A região do Itaim-Bibi,
zona sul, é uma das que mais têm megaguindastes, alguns sobre prédios.
“Na cidade, há vários equipamentos em cima de prédios que, erguidos,
interferem nos voos”, disse. “Tem uma obra na Avenida Juscelino Kubitschek, no
Itaim-Bibi, por exemplo, em que o guindaste está bem iluminado, tem Notam
expedido, tudo certo. Mas em outras eles simplesmente ficam apagados.”
Nenhum comentário:
Postar um comentário