Governo do RJ quer R$ 7 mi por ano para privatizar Maracanã.
Vinicius Konchinski*
Do UOL, no Rio de Janeiro
-
AFP PHOTO / FIFA
Administração do Maracanã passará para a iniciativa privada após a Copa das
Confederações
O governo do Rio de Janeiro divulgou nesta segunda-feira as primeiras
informações sobre o processo de privatização do Maracanã. A administração do
estádio será repassada à iniciativa privada no ano que vem, antes da
reinauguração da arena, prevista para fevereiro. Pela concessão, o Estado do Rio
de Janeiro ganhará cerca de R$ 7 milhões por ano.
Esse é o valor aproximado da outorga anual do estádio. Além disso, a empresa
que ganhar a concessão do Maracanã terá de arcar com investimentos de cerca de
R$ 469 milhões no complexo esportivo do estádio. A arena Maracanã em si não
passará por outras obras.
Obras da Copa
Na segunda
quinzena de outubro de 2012, construtora responsável pela obra do Itaquerão
instala estruturas da cobertura
Divulgação
Segundo o governo, nenhum clube de futebol poderá disputar a concessão do
estádio, que deve ser feita por um contrato que terá duração de 35 anos. Estará
liberada, no entanto, a associação de clubes e empresas interessadas no estádio
desde de que essa parceria não dê direitos exclusivos a um time sobre o
Maracanã.
"Não queremos que o Maracanã seja de um clube A ou clube B", disse o
secretário da Casa Civil do Estado do Rio de Janeiro, Regis Fitchner. "Não faz
sentido que um clube tenha exclusividade sobre um estádio que é um templo do
futebol."
Fitchner é o secretário estadual que está à frente do processo de concessão
do Maracanã. Segundo ele, a privatização da administração é necessária para que
o estádio e todo seu complexo esportivo atinjam todo seu potencial de conforto e
acesso obtidos com a reforma do Maracanã para a Copa do Mundo.
"A reforma está colocando o estádio em um padrão internacional de conforto,
acessos etc.", explicou o secretário. "Agora, vamos modernizar o seu uso, e isso
só é possível fazer mediante a sua concessão."
Ficthner disse que as reformas determinadas na concessão incluem a construção
de estacionamentos, novos centros esportivos, lojas e um museu do futebol. Tudo
isso tornará o Maracanã, além de um complexo esportivo, um grande centro de
entretenimento, preparado para receber grandes shows, por exemplo. "O
Maracanãzinho vai ter toda sua acústica refeita, vai ganhar arquibancadas
novas", disse Ficthner, citando exemplos de mudanças previstas para a área que
será privatizada pelo Estado do Rio de Janeiro.
ORÇAMENTO ESTOURADO EM R$ 9 MI
A reforma do Maracanã para a Copa do Mundo de 2014 já custa R$ 9,1 milhões a
mais do que o oficialmente previsto pelo governo do Rio de Janeiro. O contrato
firmado para as obras no local passou por uma correção monetária. Com isso, o
custo das adequações, que estava estimado em R$ 859,9 milhões, atingiu a marca
de R$ 869,1 milhões no final do mês de agosto.
As mudanças devem multiplicar por dez a receita obtida pelo Maracanã, segundo
a secretária de Esporte e Lazer do Rio de Janeiro, Márcia Lins. Ela disse que,
antes de ser fechado para reforma, o Maracanã gerava um faturamento de cerca de
R$ 15 milhões por ano. Após a concessão, a estimativa do governo estadual é que
a empresa concessionária obtenha R$ 153 milhões de receita por ano.
Essa mesma empresa deve ter um gasto de cerca de R$ 43 milhões por ano para
manter o complexo. Subtraindo esse valor do total da receita e também o valor do
outorga anual, a nova administradora do Maracanã deve ter um superávit
operacional de R$ 100 milhões por ano.
De acordo com o secretário Ficthner, até o 12° ano de concessão, todo
superávit servirá para arcar com investimentos. Depois, toda a sobra da receita
será lucro bruto da empresa concessionária. Nos 23 anos restantes da concessão,
esse lucro somará cerca de R$ 2,4 bilhões.
Já o estado do Rio de Janeiro terá ganho cerca de R$ 245 milhões com as
outorgas durante os 35 anos em que o estádio estará sob controle privado. Esse
valor não pagará um terço do total gasto com a reforma do estádio para a Copa do
Mundo de 2014. Até agora, o governo do Rio de Janeiro já comprometeu R$ 869
milhões com as obras para o Mundial.
"Em 2008, nós pensamos em fazer um concessão já incluindo a reforma, mas essa
conta não fecha. O complexo não dá o retorno necessário para que paguássemos
tudo o que precisaríamos fazer", explicou Ficthner, sobre os motivos de só
privatizar o Maracanã após as obras para a Copa. "Por isso, resolvemos fazer a
concessão após a reforma."
O secretário disse que o modelo de privatização ainda não está completamente
definido. Até o dia 8 de novembro, o governo do Rio de Janeiro estará aberto a
sugestões para a concessão do Maracanã. No dia 8 do mês que vem, também será
realizada um audiência pública para que interessados possam opinar sobre a
privatização. Dez dias depois, será lançado o edital de licitação do controle do
estádio.


Nenhum comentário:
Postar um comentário