Pedro Ivo Almeida e Renan Rodrigues*
Do UOL, no Rio de Janeiro
O governo do Estado do Rio de Janeiro decidiu que clubes de futebol não
poderão disputar a concessão do Maracanã. Isso não quer dizer, no entanto, que
os times cariocas estão totalmente fora do processo de privatização do estádio.
Flamengo e Fluminense minimizaram o veto do poder público e acreditam que a
decisão não trará problemas para a utilização de ambos do "Maior do Mundo" no
futuro.
O rubro-negro e o tricolor já fazem, inclusive, planos para voltarem a ter o
Maracanã como suas respectivas casas nos campeonatos disputados.
Com 70% dos
trabalhos concluídos, o Maracanã começará a receber a estrutura da cobertura do
estádio em novembro AFP PHOTO /VANDERLEI
ALMEIDA
Segundo Peter Siemsen, presidente do Fluminense, o clube das Laranjeiras
recebeu com naturalidade a notícia de que clubes não poderão disputar a
concessão. O mandatário tricolor afirmou que já imaginava este tipo de edital.
Afirmou também que a concessão para uma empresa realmente é o melhor caminho e
que o clube ainda está avaliando possíveis parcerias para utilizar novamente o
estádio.
"O Fluminense está alinhado com o edital lançado. Ele está dentro do que
imaginávamos. Pelo que o Maracanã sempre foi, pelo que ele representa,
concordamos com a decisão de não dar exclusividade para nenhum clube. O
resultado global financeiro apresentado parece extremamente favorável para a
empresa que assumir a licitação", avaliou Siemsen.
PRIVADO POR R$ 7 MILHÕES AO ANO
O governo do Rio de Janeiro divulgou nesta segunda-feira as primeiras
informações sobre o processo de privatização do Maracanã. A administração do
estádio será repassada à iniciativa privada no ano que vem, antes da
reinauguração da arena, prevista para fevereiro. Pela concessão, o Estado do Rio
de Janeiro ganhará cerca de R$ 7 milhões por ano.
O presidente do Flu disse também que o clube ainda não fez nenhum contato com
empresas interessadas em assumir o estádio. O tricolor, segundo Siemsen, ainda
avalia possibilidades. "Ainda não iniciamos o contato com nenhuma empresa. Por
enquanto, ainda estamos apenas avaliando", explicou.
Responsável pelo caso no Flamengo, o vice-presidente de patrimônio Alexandre
Wrobel também mostrou tranquilidade com a decisão do governo e ratificou o
desejo da diretoria do clube da Gávea de se juntar a empresas para utilizar o
estádio.
"Não acredito que esta decisão atrapalhe nossos planos de utilização do
Maracanã. Sempre pensamos em parcerias com grandes empresas. Vamos estudar com
calma. Tenho uma reunião amanhã [terça] no clube sobre isso e vamos ter
uma posição mais atualizada", disse Wrobel.
Ainda não sabe todas as empresas que disputarão a concessão do Maracanã. A
IMX, do bilionário Eike Batista, é uma das poucas que declarou abertamente seu
interesse em administrar o estádio. A companhia, inclusive, realizou todos os
estudos que basearam a proposta do governo de concessão do Maracanã. Com o
edital divulgado, a IMX deve oficializar sua proposta pelo estádio.
Além da IMX, a Traffic já havia informado que disputaria a concessão do
Maracanã. A empresa de marketing esportivo informou no início do ano que uma
parceria com um clube carioca poderia garantir um certo público nos jogos que
serão realizados no estádio.
Vasco e Botafogo longe do Maracanã
Enquanto Flamengo e Fluminense estudam a melhor maneira de poder utilizar o
Maracanã como "casa" para os jogos, Vasco e Botafogo demonstraram indiferença
com a repercussão do caso. Com seus próprios estádios - São Januário e Engenhão
- os clubes afirmaram, através de suas assessorias de imprensa, que não têm
nenhum interesse em participar de parcerias pela concessão do Maracanã.
*Colaboraram Bernardo Gentile, Vinicius Castro e Vinicius
Konchinski

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