BERNARDO ITRI
Os R$ 820 milhões divulgados como custo total do Itaquerão não
representam o preço real da obra e da operação do estádio corintiano.
A conta, se forem considerados os gastos com sistemas elétrico e de
tecnologia, equipamentos provisórios --como os cerca de 20 mil assentos da
arquibancada móvel--, mobília e impostos, ultrapassa R$ 1 bilhão.
A Folha obteve com exclusividade o contrato firmado entre o
Corinthians e a Odebrecht. O acordo não contempla diversos itens básicos para o
funcionamento da arena.
A segunda cláusula do acordo define, por exemplo, que "equipamentos e
infraestrutura necessários à operação do estádio" não estão incluídos no
contrato.
Fora do orçamento de R$ 820 milhões estão equipamentos que serão utilizados
na Copa-2014, como ar-condicionado, sistema de tecnologia da informação,
iluminação provisória, carrinho para o transporte de maca, a própria maca,
bandeiras etc.
O gastos com essa aparelhagem para o uso no Mundial é estimado em R$ 50
milhões, mas ainda não está definido quem pagará a conta --se Corinthians,
Prefeitura de São Paulo, governo do Estado ou governo federal.
O Estado de São Paulo ainda vai bancar as estruturas provisórias dentro do
estádio: mais R$ 50 milhões na conta.
Na soma dos R$ 820 milhões também não foi orçado o valor com mobília
(estrutura de mídia, mesas, computadores e armários).
Em sua proposta, a Serpal, empresa que concorreu com a Odebrechet para erguer
a arena, previa desembolsar R$ 39 milhões com esses itens.
O Corinthians afirma que o mobiliário "será pago pelos locadores das áreas,
sejam os camarotes, sejam os restaurantes, sejam os espaços de hospitalidade".
Por ser estádio da Copa de 2014, o Itaquerão ainda foi beneficiado pelas
isenções fiscais concedidas pelas esferas públicas. O contrato do Corinthians
com a Odebrecht prevê essas desonerações.
| Diogo Shiraiwa/Editoria de Arte/Folhapress | ||
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O preço do estádio já foi fechado contando as anistias. Se tivesse de pagar
os impostos, a conta encareceria mais R$ 63 milhões --este foi o valor estimado
pela Serpal.
O contrato não inclui também a remoção e realocação dos dutos da Transpetro
que passavam pelo terreno. O Corinthians afirma ter pago R$ 10 milhões pela
obra.
Somados todos esses incrementos, o preço real do estádio corintiano chega a
exato R$ 1,032 bilhão.
RESPONSABILIDADES
Reza o contrato que o Corinthians deve pagar à Odebrecht, em até cinco dias
úteis após o pedido de cada empréstimo-ponte, 10% do "preço fixo global" (R$ 820
milhões). Até agora, foram feitos dois empréstimos-ponte --no total de R$ 250
milhões--, e o clube não pagou os R$ 164 milhões devidos.
O Corinthians diz que essa dívida será incluída no financiamento total, que
começará a ser pago quando o estádio estiver funcionando ou quando os direitos
sobre seu nome forem vendidos.
O risco de atraso na entrega da arena também é previsto no acordo entre as
partes. Se o prazo estourar mais do que 90 dias, a Odebrecht terá de pagar ao
Corinthians R$ 100 mil por dia de atraso.

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