PROJETOS DA COPA 2014 EM MANAUS

PROJETOS DA COPA 2014 EM MANAUS

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

COPA DO MUNDO IMPULSIONA ESTUDO DE GENÉTICA CONTRA O RACISMO.

FONTE: http://www.copa2014.gov.br/pt-br/noticia/copa-do-mundo-impulsiona-estudo-de-genetica-contra-o-racismo
Projeto “We R no Race" pretende aproveitar a visibilidade do evento para mostrar, por meio de testes com os atletas, que não existem raças humanas distintas do ponto de vista dos genes.
A Copa do Mundo da FIFA 2014 é o cenário escolhido pelo geneticista mineiro Sérgio Pena para dar um grande passo no projeto “We R no Race” (Nós não temos raça”). A proposta é mostrar que, do ponto de vista genético, não existem várias raças, somente a raça humana. Jogadores das equipes que vão disputar o Mundial poderão participar dos estudos doando material genético. “Nada semelhante jamais foi feito. Este projeto deve colocar o Brasil na liderança de um movimento mundial de repúdio ao racismo”, disse Sérgio Pena.
 
O geneticista explica que 99,5% das informações genéticas são iguais entre os indivíduos. Somente 0,5% do genoma humano é distinto. Tais diferenças são suficientes para garantir que cada genoma seja único, mas não bastam para determinar raças entre os seres humanos.
Segundo Pena, há dois tipos de diversidades: entre pessoas da mesma família, cidade ou país – o que garante a identidade física de cada indivíduo – e a diversidade entre as populações, que distingue pessoas de continentes diferentes. É essa diversidade entre populações que alimentou o falso conceito de raças. Uma separação que, segundo o projeto, está na origem de várias ações discriminatórias, explorações e atrocidade.
 
“A questão do racismo tem assolado o futebol nos últimos anos. Um exemplo é a recente Eurocopa, onde vários incidentes desagradáveis ocorreram. A Copa de 2014 é o palco ideal para um projeto antirracismo desse tipo, usando os próprios jogadores dos times competidores como fontes das amostras”.
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação#
 
Falsos estereótipos
As características usadas para diferenciar grupos continentais, como a cor da pele e o puxado dos olhos, dependem, de acordo com o especialista, de alguns poucos genes entre os mais de 20 mil do genoma humano. Mas esses poucos genes não influenciam características como inteligência e habilidade. E os estudos genéticos mostram que há mais diferenças entre indivíduos dentro da mesma população do que entre populações.
 
“Se mergulharmos nos nossos genomas para avaliar esses dois componentes da diversidade humana, descobriremos que a maior variação ocorre entre pessoas da mesma população. Isso significa que eu sou tão diferente de um brasileiro como eu sou de um asiático ou de um africano. Somos igualmente diferentes”, explica o professor.
 
“Assim, o racismo, o ódio étnico e a xenofobia não só estão errados por razões morais, mas são ignorantes por que se baseiam em diferenças de grupo que são inexistentes”, completa. A negativa da raça do ponto de vista genético pode ser um caminho importante na luta contra o racismo no futebol e no mundo.


Jogos de Londres
Uma fase do projeto foi realizada durante as Olimpíadas de Londres de 2012. Foram obtidas duas amostras de células bucais de cerca de 800 pessoas de diferentes nacionalidades, que passaram pela exposição “Brazil at Heart”, na embaixada do Brasil em Londres. Ao participar do projeto, eles ganharam a chance de conhecer um pouco mais sobre seus ancestrais.
 
Cada indivíduo assinou um documento de permissão de estudos genéticos, que serão feitos anonimamente. As informações passadas foram somente o próprio país de nascimento e o país de nascimento dos avós. Os participantes receberam um código que vai permitir a identificação do resultado em um site a partir de novembro deste ano.
Uma das amostras bucais terá o DNA extraído para o cálculo das proporções de ancestralidade europeia, africana e asiática. Também será calculada a variância genética entre continentes, entre países do mesmo continente e dentro de cada país.
A outra coleta será mantida congelada e será usada no futuro como controle em estudos mais complexos de ancestralidade genômica, inclusive na Copa de 2014.
O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, participou da coleta de DNA em Londres. "O projeto não só ajuda a quebrar preconceitos, como nos faz entender por que temos na diversidade essa unidade. Nós nos identificamos como brasileiros, com as nossas origens indígenas, africanas e europeias. Acho que, dessa maneira, o Brasil pode fazer da Copa e da Olimpíada um momento de celebração dessa virtude de ser tolerante", ressaltou o ministro. “A ideia fundamental é apresentar o Brasil na Copa de 2014 como um país aberto onde pessoas de todas as partes do mundo serão recebidas como irmãs.”, disse Sérgio Pena.

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