Diogo Rocha . portal@d24am.com
O diretor do Centro Médico de Excelência da Fifa no Brasil, André Pedrinelli, alerta sobre os problemas de saúde mais comuns que ocorrem na Copa do Mundo.
Funcionários e voluntários representam 60% do
atendimento médico na Copa. Foto: Nathalie Brasil
Manaus - Na Copa do Mundo de 2014,
as deficiências do sistema de saúde no Brasil podem ser similares às da África
do Sul, onde foi disputado o último Mundial, caso a legislação e a eficiência no
atendimento médico não sejam flexibilizadas. É o que afirma o diretor do Centro
Médico de Excelência da Fifa no Brasil, o ortopedista André Pedrinelli, que
esteve em Manaus para o 1º Congresso Integrado de Ortopedia no Amazonas.
“O Brasil é muito parecido com a África do Sul em questões culturais, então
teremos situações semelhantes. Mas lá tem menos médicos que no Brasil. Na
África, os paramédicos têm muito mais atividades que os nossos, já que nossa
legislação não permite fazer muitas coisas. Então, teremos no Brasil na época da
Copa mais médicos trabalhando que enfermeiros e paramédicos”, explicou
Pedrinelli.
Para o especialista em medicina esportiva, o gargalo maior será garimpar os
profissionais mais qualificados para os serviços de emergência. “Não vejo
necessidade de investir mais em equipamentos de saúde. É só disponibilizar de
maneira racional e adequada o que já temos. Talvez na questão de ambulâncias”,
disse Pedrinelli, sobre a criação de um plano de contingências.
O Mundial tem uma singularidade em relação às demais competições, que são as
divisões do Campeonato Brasileiro, relembrou Pedrinelli. “As condições para um
jogador não mudam. O que é igual numa Copa do Mundo é parecido numa Copa
Sul-Americana e num torneio de clubes. Mudam apenas as características. Um
Mundial não é um campeonato, mas um torneio. É muito diferente na questão do
tempo, afinal, se tiver um caso de lesão de menisco na primeira partida o
jogador está fora do resto da Copa, que dura quatro semanas”, comparou.
Para Pedrinelli, a preocupação dos médicos especialistas no Brasil é no
suporte às equipes de saúde das seleções. “Tendo quatro jogos, aqui (em Manaus)
terá oito seleções com uma média de 25 jogadores por equipe. Teremos que dar
retaguarda (nos atendimentos médicos), mas as próprias seleções têm um grupo
médico completo. Chegam a vir com cinco profissionais, entre médicos,
fisioterapeutas, acupunturistas, radiologistas e massoterapeutas”, revelou.
Ainda segundo Pedrinelli, a prevenção é a melhor estratégia para causar uma
boa impressão das seleções estrangeiras. “Por exemplo, caso um jogador precise
fazer uma ressonância magnética, tem que haver já uma relação de hospitais
escalados para atender este tipo de serviço. Ter um hotline (linha telefônica
atendendo 24 horas) para fazer o exame em no máximo duas horas”, citou.
As particularidades dos serviços de saúde de cada cidade-sede precisam ser
solucionadas pela logística. “Numa cidade como São Paulo temos questões
gravíssimas como o trânsito. A Fifa exige, por exemplo, que a cada deslocamento
por terra acima de 15 minutos, se faça por via aérea. Cada cidade terá uma
logística diferente. Se terá feriado ou não. A parte médica dependerá de outras
áreas para ver o que podemos fazer”, analisou.
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