Vinicius Konchinski
Do UOL, no Rio de Janeiro
Estádio de Manaus (AM) vai receber quatro jogos da Copa do Mundo de
2014
Os problemas da obra da Arena Amazônia com a fiscalização apresentam agora
suas consequências. Depois do Tribunal de Contas da União (TCU) encontrar
sobrepreços no orçamento da construção e bloquear o empréstimo do BNDES, o
Governo do Amazonas anunciou que a inauguração do estádio será adiada em seis
meses.
A arena de Manaus para a Copa do Mundo de 2014 deveria ser aberta em junho do
ano que vem. Entretanto, o próprio governo estadual já admite inaugurá-la só em
dezembro.
Obras de estádios da Copa em setembro de 2012
A reforma do
Beira Rio, em Porto Alegre, atingiu 33% de seu cronograma Mais
Ministério do
Esporte/Divulgação
A mudança deve-se justamente aos entraves do projeto do estádio junto ao TCU.
Devido a irregularidades no orçamento da arena, o tribunal determinou que o
BNDES parasse de repassar o dinheiro do empréstimo contratado pelo Estado para
pagar o estádio. Sem os recursos, a obra diminuiu seu ritmo e a data de sua
conclusão teve de ser alterada.
Em abril, o tribunal de contas verificou que o custo do estádio de Manaus
estava R$ 86,5 milhões acima do normal. O estádio, que deveria custar cerca de
R$ 529 milhões, já estava caminhando para ser concluído a um custo total de R$
R$ 616 milhões.
SAIBA MAIS SOBRE A FISCALIZAÇÃO
Segundo o TCU, alguns materiais incluídos no projeto haviam sido orçados com
valor acima do de outras obras semelhantes, elevando assim o custo do
estádio.
Um relatório do tribunal apontou que o preço de duto para ar condicionado que
seria usado na Arena Amazônia custaria R$ 80,82/kg, por exemplo. O mesmo duto
comprado para a reforma do Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília, custava
R$ 22,61/kg –diferença de quase mais de 250%.
Cabe ressaltar que a construtora Andrade Gutierrez está entre as responsáveis
pelas obras de ambos os estádios. Portanto, para o TCU, não faria sentido ela
mesmo orçar um duto para uma arena por um preço e, para a outra, comprar o mesmo
duto por quase o triplo desse valor.
Baseado nessas conclusões, foi determinado o bloqueio dos repasses do BNDES.
O banco havia se comprometido a emprestar R$ 400 milhões para a obra. Porém, por
causa dos problemas no projeto, ficou obrigado a reter cerca de R$ 310 milhões
até que tudo fosse resolvido.
Em agosto, o governo de Amazonas revisou o projeto do estádio. Um novo
orçamento para a arena foi apresentado: R$ 550 milhões. O TCU aprovou o
documento e autorizou o BNDES a retomar os repasses para a construção.
O bloqueio, no entanto, já havia comprometido o cronograma. Segundo o governo
do Amazonas, o estádio de Manaus, que tem 45% de suas obras concluídas, será
entregue no prazo limite estabelecido pela Fifa.
Isso, claro, se os recursos do do BNDES voltarem à obra. Nesta terça-feira o
banco informou que, apesar de já estar autorizado pelo TCU a passar o dinheiro
para o estádio, as transferências ainda não foram retomadas por detalhes
burocráticos.
O Governo do Amazonas declarou ao UOL que ainda precisa
fechar um contrato com uma empresa de auditoria para receber o empréstimo. “O
BNDES aguarda a contratação de uma auditoria financeira para acompanhar o
andamento do contrato de empréstimo. O processo licitatório está avançado e tem
previsão de encerramento ainda neste mês”, informou, em nota.


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