Fabrizio Rosa
Quem pedala na capital francesa conta com 652 quilômetros de vias
exclusivas e uma estação de serviço a cada 300 metros Sistema de locação de bicicletas foi o ponto inicial para a reestruturação total da estrutura viária da capital francesa.
Fabrizio Rosa, especial para a Gazeta do Povo
Na França, o ciclismo é uma paixão nacional, mas, ironicamente, até pouco
tempo atrás, pedalar pelas ruas de Paris era uma prática arriscada. A revolução
sobre duas rodas tomou a capital francesa recentemente com a criação do Vélib’,
sistema de locação de bicicletas. Outras cidades da Europa, como Amsterdã, têm
décadas de tradição em favor das pedaladas, mas a força com que a chamada
Vélorution (revolução da bicicleta) ganhou Paris não tem precedentes. O Vélib’
acaba de completar cinco anos com comemoração e o prestígio de ter mudado a
forma de viver e se locomover de toda uma cidade.
Vélib’ é um trocadilho com as palavras bicicleta e liberdade (vélo +
liberté). Desde que surgiu, teve imediata adesão dos parisienses. A publicitária
Letticia Marcon morava em Paris na época e lembra com saudades dos primeiros
meses de Vélib’. “O lançamento foi no verão, por isso todo mundo queria pedalar.
Como no início não havia muitas estações disponíveis, cheguei a ver gente que
visitava os amigos com uma Vélib’ a tiracolo para não ficar sem na hora de
voltar para casa.”
Fabrizio Rosa
Ao todo, 23 mil bicicletas estão à disposição dos
usuários
curitiba terá frota piloto em novembro
Ainda neste ano, Curitiba passará a contar com um sistema de aluguel de
bicicletas – infinitamente mais modesto do que o de Paris, é verdade. A
Bicicletaria.Net, empresa que venceu a licitação para os bicicletários da
cidade, planeja colocar o serviço em funcionamento em novembro.
O sistema começará a operar com uma frota piloto de 21 bicicletas,
inicialmente nos bicicletários dos parques São Lourenço, Jardim Botânico e do
Centro Cívico. Todo o sistema de geomapeamento (GPS) e o software de
cadastramento dos usuários e das bicicletas estarão disponíveis a partir da
abertura dos bicicletários.
O custo inicial será de R$ 5 a hora de uso para o usuário. “A expansão da
frota e dos postos de retirada e entrega das bicicletas, assim como a redução
dos custos aos usuários, ainda dependem de parcerias que estão sendo negociadas
com grandes empresas”, explica o empresário Rafael Milani Medeiros. Segundo ele,
o modelo de negócio é explorar a publicidade nas bicicletas em troca de
subsídios ao sistema, a exemplo do que já ocorre em outras capitais do
país.
Pacotes
Veja quanto custa* andar de bicicleta em Paris:
Diária: R$ 4,25 – o mesmo valor de um bilhete de metrô
Semanal: R$ 20 – para deslocamentos de 30 minutos
Anual
R$ 72,50 – para deslocamentos de 30 minutos
R$ 97,50 – para deslocamentos de 45 minutos
Para estudantes e bolsistas, o valor varia de R$ 48,50 e R$ 72,50
R$ 97,50 – para deslocamentos de 45 minutos
Para estudantes e bolsistas, o valor varia de R$ 48,50 e R$ 72,50
*Valor das assinaturas em reais, ao câmbio a R$ 2,50.
Investimentos
O projeto Vélib’ foi concebido pela prefeitura de Paris, que cedeu à
iniciativa privada a operação do sistema por dez anos. Com um investimento
inicial de US$ 140 milhões, a JCDeacaux iniciou o serviço em julho de 2007,
colocando nas ruas 11 mil bicicletas distribuídas em 750 estações. O sistema,
que já nasceu grande, não para de crescer: hoje são 23 mil bikes para locação.
Desde então, a empresa investiu anualmente outros US$ 5,5 milhões para
manutenção do serviço. Em troca, opera 1,6 mil outdoors espalhados pela
cidade.
Tudo é gerido e fiscalizado de forma compartilhada. Além da supervisão da
prefeitura, existe um Comitê de Usuários, um ouvidor eleito, responsável por
mediar problemas, além do contato direto com os ciclistas via redes sociais e
blog. Para os conectados, um aplicativo de smartphone mostra as estações
próximas disponíveis para quem quer pegar ou devolver uma bicicleta.
Replanejamento
O mérito do projeto não está apenas na imensa frota ou no gerenciamento do
sistema. A partir do Vélib’, toda a estrutura viária de Paris foi replanejada,
com a construção de vias exclusivas e de mão dupla, ciclofaixas nas ruas,
trajetos que cortam e ligam os bairros, sinalização, semáforos para bicicletas,
além de campanhas contra o vandalismo e de conscientização no trânsito. A
jornalista curitibana Fernanda Peruzzo vive em Paris há um ano e é adepta da
bicicleta. “Quase nunca ando de metrô ou de ônibus. Aqui é possível pedalar com
segurança pelas ruas. Em vários trechos bicicletas e ônibus compartilham a mesma
pista e há respeito com o ciclista.” Se motoristas estão habituados à presença
das bicicletas, há também respeito por parte do ciclista. Pedalar na contramão
ou na calçada pode render uma severa bronca e até uma multa de um policial.
Recentemente, Fernanda trocou o aluguel da Vélib’ por um modelo anos 80 da
marca holandesa Esparta e justifica a escolha. “A Vélib’ é útil, mas muito
pesada. Às vezes há o inconveniente de encontrar estações vazias quando se
precisa de uma ou estações cheias na hora de devolver. Chegou o momento em que
eu queria escolher um modelo que me agradasse, colocar os acessórios que eu
quisesse. E acho que isso é uma tendência agora aqui.” Números oficiais
comprovam esta percepção. Em cinco anos, o número de ciclistas cresceu 41% e o
Vélib’ responde hoje por cerca de 38% do tráfego de bicicletas. Uma adesão
compreensível, afinal a paisagem de Paris vale o esforço de umas pedaladas.
Regras
Vélib’ tem opções de pacotes para turistas e moradores
O modo de locação da Vélib’ é semelhante ao de outras cidades (veja valores
abaixo). Mediante uma taxa de assinatura, o usuário pode pedalar por 30 ou 45
minutos, dependendo do pacote escolhido, até devolver a bicicleta em uma
estação. Ciclistas que extrapolam o tempo têm valores adicionais cobrados a cada
meia hora, que são debitados no cartão de crédito. Mas 15 minutos após devolver
a bicicleta já é possível pegar outra sem custo adicional, para mais um período
de 30 ou 45 minutos.
A assinatura anual pode ser feita pela internet ou telefone. Há ainda opções
para turistas. Em cada estação há um totem onde, tendo um cartão de crédito com
chip, é possível imprimir um cupom para um dia ou uma semana. Para quem tem a
assinatura anual basta posicionar o cartão Vélib’ diretamente no leitor
magnético que fica junto de cada bicicleta.

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