PROJETOS DA COPA 2014 EM MANAUS

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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

GOVERNADOR DO RJ ANUNCIA DEMOLIÇÃO DO MUSEU DO ÍNDIO PARA REFORMAR MARACANÃ PARA A COPA DE 2014.

FONTE: http://copadomundo.uol.com.br/noticias/redacao/2012/10/19/governador-do-rj-anuncia-demolicao-do-museu-do-indio-para-reformar-maracana.htm?cmpid=ctw-copa-do-mundo-2014-news

Vinicius Konchinski
Do UOL, no Rio de Janeiro
Sergio Moraes/Reuters
Governo do Rio de Janeiro quer transformar área ocupada por índios em local de evacuação do Maracanã
Governo do Rio de Janeiro quer transformar área ocupada por índios em local de evacuação do Maracanã
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, anunciou na quinta-feira que a compra do antigo Museu do Índio foi concluída. O imóvel, que fica exatamente ao lado do Maracanã, será agora demolido para dar lugar a uma área de mobilidade no entorno do estádio.
O antigo Museu do Índio pertencia à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), uma empresa do governo federal. Cabral afirmou que a propriedade do local já foi repassada ao Estado do Rio de Janeiro e o pagamento por ela, efetuado. Durante a negociação da área, ela havia sido avaliada em R$ 60 milhões.
Novo dono do imóvel, o governo do Rio de Janeiro planeja integrá-lo ao projeto de reforma do Maracanã para a Copa do Mundo de 2014. Segundo Sérgio Cabral, a Fifa exige que arenas do Mundial tenham áreas para circulação de torcedores em sua volta. O terreno em que fica o antigo Museu do Índio será transformado em uma dessas áreas, afirmou Cabral.
“Eu já desapropriei e paguei [a área do Museu do Índio]”, afirmou Cabral. “Aquilo será uma área de mobilidade. [O prédio] será demolido. A Fifa exige a área de mobilidade para circulação de pessoas.”
O prédio do antigo Museu do Índio foi construído no século 19 e está atualmente ocupado por um grupo de indígenas. Esses indígenas moram lá desde 2006. Decidiram viver no local pois ele estava abandonado há anos. Desde então, reivindicam a posse da área para transformá-la em um centro cultural. São, portanto, contrários à demolição do museu.
Índios temem ser expulsos de terreno abandonado ao lado do Maracanã
Índio fuma dentro do Museu do Índio, abandonado desde 2006 e localizado em frente ao estádio do Maracanã em reforma, no Rio de Janeiro. Um grupo de 17 índios de diversas etnias que ocupa o local teme que as obras para a Copa do Mundo os expulssem de lá. Está prevista a construção de um estacionamento com 10 mil vagas no entorno Sergio Moraes/Reuters
Desde julho, a Defensoria Pública da União acompanha a situação dos indígenas que moram na área do museu e também a negociação do imóvel. O defensor público André Ordarcgy já esteve no local conversando com os moradores e avaliando as características do prédio.
Segundo ele, o antigo museu tem valor cultural, histórico e arquitetônico. Por isso, não pode ser demolido. Procurado pelo UOL, ele disse inclusive que deve solicitar na Justiça a preservação do museu caso o governo insista na sua derrubada.
Para embasar sua ação judicial, Ordarcgy disse que conta com pareceres do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA) e do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) que garantem que o prédio não atrapalha a circulação de pessoas no entorno do Maracanã. Conta também com uma carta assinada pelo diretor do escritório da Fifa no Brasil, Fulvio Danilas, informando que a entidade não exige a derrubada no prédio. Pelo contrário, incentiva sua preservação.
Ordacgy disse que uma ação civil pública deve ser protocolada na Justiça Federal tão logo ele tenha informações suficientes sobre a intenção do governo estadual. “Acho isso muito estranho. Todos são a favor da preservação. Só o governo diz que é preciso demolir”, afirmou ao UOL.
O governador Cabral disse na quinta que qualquer órgão tem direito de questionar a decisão do governo na Justiça. Ressaltou, porém, que o plano de demolição está mantido e afirmou que não vê nenhum motivo para preservação do antigo museu. “Não tem valor histórico nenhum."
Carlos Tukano, um dos líderes dos moradores da área, não concorda. Para ele, o prédio precisa ser preservado e destinado à divulgação da cultura indígena. Por isso, já avisou que os que hoje fazem parte da Aldeia Maracanã não abandonarão o local. "Vamos lutar até o fim."

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