Ex-jogador, deputado quer investigar a entidade máxima do futebol brasileiro por indícios de irregularidades em contratos com empresas privadas.
O deputado Romário (PSB-RJ) começou nesta terça-feira (4) a
colher assinaturas para criar uma CPI para investigar a Confederação Brasileira
de Futebol (CBF). Para a comissão ser criada e depois instalada é necessário o
apoio de 171 deputados. “Já passou da hora de a CBF ser fiscalizada pelos
deputados, de os dirigentes começarem a dar mais transparência ao que acontece
lá dentro”, afirmou.
Em discurso no plenário da Câmara, Romário confirmou posição antecipada na semana passada ao
Congresso em Foco. Ao site, ele disse que é
preciso acabar com a “sacanagem no mundo da bola”. O objeto da comissão é a
investigação de contratos supostamente fraudulentos celebrados entre a entidade
e empresas privadas. Entre eles, o acordo firmado entre TAM e CBF.
Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, quatro empresas de
propriedade de um amigo do ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira são
beneficiárias do contrato de patrocínio da seleção com a companhia aérea. “A
investigação se justifica para se identificar qual o motivo pelo qual uma
cláusula sigilosa do documento obrigava a TAM a depositar os recursos na conta
do Grupo Águia, de propriedade de um amigo do Sr. Ricardo Teixeira”, diz o
requerimento.
Outra linha de investigação é o envolvimento do vice-presidente da CBF e
presidente da Federação Paulista de Futebol, Marco Polo del Nero, com a Operação
Durkheim, desencadeada pela Polícia Federal na semana passada. A investigação da
PF revelou a existência de uma quadrilha formada por policiais e funcionários de
bancos e empresas telefônicas que negociou os dados financeiros e telefônicos de
pelo menos 10 mil pessoas.
Bancada da bola
No ano passado, o deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) tentou protocolar uma CPI
para investigar o Ricardo Teixeira e a CBF. No entanto, esbarrou na
articulação feita pelo então presidente da entidade, que chegou a vir a Brasília
e conversar com deputados e líderes partidários. Romário disse não temer a
articulação da “bancada da bola”, grupo de deputados ligados à CBF e aos clubes
de futebol.
“Eu não temo nenhum tipo de retalição. A única reação que a bancada da bola
pode ter é não assinar e pedir para os outros não assinar. É isso, mais nada. Eu
faço o meu papel e eles fazem o deles”, afirmou. Por enquanto, Romário coletou
poucas assinaturas. A expectativa dele é conseguir o número mínimo de 171
deputados e depois apresentar o requerimento na Secretaria-Geral da Mesa da
Câmara.
Após ser protocolado, o documento será analisado pelos técnicos da Casa, que
devem conferir todas as assinaturas. Se tudo estiver regular, o pedido é lido em
plenário e a CPI criada. Porém, para funcionar, precisa furar uma fila de outras
nova comissões que estão à espera de indicação pelos líderes partidários. No
momento, há três em funcionamento.
Prejuízo
No ano passado, um dos argumentos usados para derrubar o pedido de CPI feito
por Garotinho era que a investigação poderia prejudicar o andamento dos
preparativos da Copa do Mundo de 2014. Romário entende que isso não se aplica.
Para ele, analisar os contratos da entidade seria benéfico para o maior evento
do futebol mundial. “As coisas poderiam ser bem mais esclarecidas e a Copa do
Mundo poderia ser bem mais limpa”, opinou.
Porém, apesar de reconhecer que houve avanços nas obras, ele entende que
haverá problemas na realização da Copa. Romário disse até que os dirigentes da
Federação Internacional de Futebol (Fifa) já se acostumaram com o “jeitinho
brasileiro”. “Vamos ter alguns problemas de mobilidade urbana, de aeroporto. E
infelizmente estádios que vão ser gastos de R$ 1 bilhão, R$ 1,5 bilhão servirão
para ser palco de três quatro jogos e depois nada”, disse.
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