Vinicius Konchinski
Do UOL, no Rio de Janeiro
- VLT de Cuiabá foi contratado por meio de concorrência suspeita, conforme revelou UOL
A Justiça Federal determinou mais uma vez a paralisação da obra do VLT
(Veículo Leve sobre Trilhos) de Cuiabá. O contrato para construção do trem
urbano foi anulado por uma nova decisão judicial, esta tomada na
terça-feira.
A decisão da Justiça é mais um capítulo do imbróglio da obra, orçada em R$
1,47 bilhão e bancada pelo governo do Mato Grosso, com ajuda de empréstimos da
Caixa Econômica Federal e do BNDES (Bando Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social). Em agosto, o UOL Esporte revelou que a obra
foi contratada por meio de uma licitação suspeita.
A novela do VLT bilionário sob suspeita
Corredor de
ônibus, com dinheiro federal: O Estado de Mato Grosso e a prefeitura de Cuiabá
assinaram a Matriz de Responsabilidades da Copa, junto com todas as cidades e
estados-sedes do Mundial de 2014. No documento, o governo de Mato Grosso se
compromete a construir um sistema de BRT (corredores exclusivos de ônibus
articulados) e um custo de R$ 489 milhões, dos quais R$ 455 milhões viriam de
financiamento federal. Mais
Reprodução/Arte UOL
Segundo apurou o UOL Esporte, o ex-assessor especial do
governo de Mato Grosso Rowles Magalhães Pereira da Silva disse que o consórcio
VLT Cuiabá pagou R$ 80 milhões em propinas para garantir que venceria a
concorrência pela obra. Por isso, o resultado da licitação já era conhecido um
mês antes da abertura das propostas, disse ele.
Vencedor de licitação do VLT de Cuiabá era conhecido um mês antes do resultado
- A licitação para definir o consórcio construtor do VLT de Cuiabá, atualmente orçado em R$ 1,47 bilhão, tinha o seu vencedor conhecido pelo menos um mês antes da entrega das propostas dos consórcios concorrentes e da abertura dos envelopes. No dia 18 de abril deste ano, uma mensagem cifrada publicada no jornal Diário de Cuiabá revelou que o Consórcio VLT Cuiabá sairia vencedor do certame. LEIA MAIS
- "Pagaram R$ 80 mi em propina para vencer a licitação", diz assessor do governo de MT
- Passo a passo: A novela do VLT bilionário sob suspeita
- MP vê "promiscuidade" no governo de MT e vai interrogar assessor e secretário de Copa
- Após reportagem do UOL, assessor do governo de MT que denunciou propina é exonerado
- Empreiteira do VLT de Cuiabá tem R$ 6,3 mi penhorados e falência pedida na Justiça
Depois das reportagens do UOL Esporte, a Polícia Civil de
Mato Grosso e os ministérios públicos abriram novas investigações sobre o VLT.
Rowles foi exonerado do cargo e desde então não proferiu publicamente nenhuma
declaração.
Já o governador de Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB), afirmou que a
licitação da linha do trem foi transparente, legal e sem qualquer favorecimento
a concorrentes. O VLT é a principal obra de mobilidade da preparação de capital
de Mato Grosso para a Copa do Mundo.
A obra também tem sido contestada pelo MP-MT (Ministério Público de Mato
Grosso) e o Ministério Público Federal (MPF) devido a sua falta de planejamento.
Promotores e procuradores, inclusive, abriram uma ação civil pública para
paralisá-la.
No início de agosto, o juiz federal Marllon Sousa analisou a ação civil
pública e determinou liminarmente a paralisação do VLT. Dias depois, entretanto,
o juiz Julier Sebastião da Silva derrubou essa liminar.
Julier assumiu o caso depois de Marllon sair de férias. Logo determinou a
realização de uma audiência com secretários do governo de Mato Grosso. Depois,
suspendeu a anulação do contrato proposta pelos promotores e procuradores,
autorizando a retomada das obras do VLT.
MP-MT e MPF, então, recorreram da decisão de Julier. O juiz Marllon voltou de
férias e analisou esse recurso. Nessa terça-feira, tornou válida novamente a
decisão que ele mesmo tinha tomado no início de agosto. Isto é, paralisou a obra
do VLT de Cuiabá mais uma vez.
A Secopa-MT (Secretaria Extraordinária da Copa de Mato Grosso) foi procurada
nesta manhã para comentar sobre a nova paralisação das obras. O órgão informou
que ainda não foi notificado oficialmente e, por isso, não se pronunciaria a
respeito do assunto.
Nenhum comentário:
Postar um comentário