PROJETOS DA COPA 2014 EM MANAUS

PROJETOS DA COPA 2014 EM MANAUS

terça-feira, 3 de junho de 2014

VISANDO À COPA, PMs AUMENTAM ESTOQUE DE ARMAS NÃO LETAIS.

FONTE: http://g1.globo.com/brasil/noticia/2014/05/visando-copa-pms-aumentam-estoque-de-armas-nao-letais.html


Brasil comprou 226 mil granadas de gás e 263 mil balas de borracha.

Polícias apostam em gás mais forte desde a Copa das Confederações.

Tahiane Stochero
Do G1, em São Paulo



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arte armas não letais (Foto: Arte g1)
A um mês da Copa do Mundo, um levantamento exclusivo feito pelo Exército a pedido do G1 mostra que, desde a Copa das Confederações, em junho do ano passado, quando protestos violentos tomaram as ruas do país, as polícias militares reforçaram o estoque de armas não letais.
Entre junho de 2013 e abril deste ano, os órgãos de segurança pública do Brasil pediram autorização para comprar mais de 270 mil granadas e projéteis de gás lacrimogêneo e de pimenta, além de 263.088 cartuchos de balas de borracha de vários tipos e modelos.
Toda a munição química não letal adquirida seria suficiente para fazer mais de 819 lançamentos de granadas de gás e 797 disparos de balas de borracha por dia nesses 11 meses.

O levantamento do Exército mostra, ainda, um incremento nas aquisições pelos órgãos de segurança em 2014, principalmente por causa do temor de uma nova onda de manifestações durante a Copa. Desde junho do ano passado, foram comprados pelas PMs 113.655 granadas lacrimogêneo e 21.962 granadas de pimenta – 59% e 73%, respectivamente, adquiridos nos primeiros quatro meses deste ano.

Também foram comprados 134.731 cartuchos de gás de diversos calibres, que são jogados sobre multidões com lançadores de calibre 12, 38 e 40, para evitar que os policiais cheguem muito perto das pessoas. Os dardos podem cair no meio de massas a uma distância que pode variar, em média, entre 5 e 120 metros do atirador.

Estratégia diferente
Amazonas e Amapá foram os únicos estados que não pediram ao Exército autorização para a compra de armas não letais desde a Copa da Confederações. As secretarias de Segurança das duas unidades da federação foram procuradas pela reportagem do G1 para comentar o assunto, mas não se manifestaram.

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Cápsulas de gás lacrimogêneo são encontradas em frente à Prefeitura de Campinas (Foto: Reprodução/ EPTV)
Gás com alta concentração de lacrimogêneo usado
com lançadores para conter protesto em Campinas,
no interior de São Paulo (Foto: Reprodução/EPTV)
Em 2013, uma série de atos levou milhares de pessoas às ruas do país, fazendo as polícias atuarem na contenção de casos de violência, vandalismo e depredação. Em algumas situações, houve denúncias de excesso ou mau uso de armas químicas, com pessoas passando mal, gás atingindo residências, confrontos e feridos por balas de borracha e de pimenta.

"No meio da multidão, o indivíduo se sente mais forte, se sente o super-homem, perde a noção da individualidade. O objetivo das armas não letais é tirar o indivíduo da coletividade, fazer ele ter medo", explica o coronel Carlos Alberto de Camargo, ex-comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo.

O que se compra
Os dados do Exército mostram que Minas Gerais, Rio de Janeiro, Distrito Federal, São Paulo e Bahia foram os estados que mais compraram armas não letais desde junho do ano passado.

Segundo o coronel Camargo, o material adquirido pelos estados mostra como as tropas de choque devem atuar na contenção de "distúrbios civis" – nome que a polícia dá ao controle de multidões.

Desde a Copa das Confederações, a PM de São Paulo fez três compras de armas não letais, e a da Bahia, outras três. Minas Gerais foi o estado com o maior volume de aquisições. Em uma delas, feita em fevereiro, foram encomendadas 95 mil granadas de vários tipos e com cargas elevadas de gás lacrimogêneo e de pimenta.
A corporação do Distrito Federal adquiriu, também em fevereiro, mais de 50 mil unidades de sprays lacrimogêneos pequenos (85 gramas) e grandes (450 gramas).
Policial ataca mulher com spray de pimenta na Praça XV, no Rio de Janeiro (Foto: Victor R. Caivano/AP)
PM do Rio usou spray de pimenta contra mulher
em protesto em 2013 (Foto: Victor R. Caivano/AP)
As polícias dos demais estados, principalmente a do Rio, preferem os sprays de pimenta, que não são comprados por São Paulo. Em abril, a PM do Rio pediu autorização para a aquisição de 4.800 deles, a maioria de novos modelos que passaram a ser produzidos a partir dos distúrbios da Copa das Confederações.

As novas armas pretendem facilitar o uso manual pelos policiais, com versões em gel, spray, aerossol e espuma, e altas concentrações de pimenta para espirrar a médias e curtas distâncias.

A Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), órgão vinculado ao Ministério da Justiça, fez três pedidos de armas não letais, totalizando 12.700 sprays de pimenta, tanto em gel quanto em espuma. A Senasp não informou, porém, se vai doar os equipamentos às corporações estaduais.

Granadas de alta concentração
Os dados do Exército obtidos pelo G1 também revelam que as polícias continuam comprando cartuchos de borracha de vários modelos. Alguns deles contêm apenas uma bala, que pode ser amarela ou preta, chamada de "precision". Outros cartuchos incluem múltiplos projéteis esféricos de elastômero, que podem atingir maior velocidade e ferir várias pessoas ao mesmo tempo.

Ao todo, a Senasp comprou 96 mil do modelo de cartucho. A PM do Piauí adquiriu 14 mil, a do Distrito Federal, 28 mil, e a de Minas Gerais pediu 35 mil. Essas são as três corporações que mais compraram o tipo de munição.

Em relação aos gases, Bahia, Minas, Espírito Santo, Rio Grande do Sul e Ceará fizeram compras de mais de mil cartuchos para serem usados em lançadores. A PM paulista utiliza as granadas com alta concentração de lacrimogêneo. Essas armas carregam três pastilhas de gás que se distribuem sobre o solo. A munição gera um intenso volume de fumaça e dificulta a devolução contra a tropa.

Além disso, entre junho e dezembro de 2013, a PM de São Paulo comprou 14.875 granadas dos dois modelos com carga tríplice de lacrimogêneo. Essas armas também foram adquiridas para uso nos últimos 11 meses por unidades de segurança da Bahia, de Mato Grosso, do Rio Grande do Sul, do Ceará, de Goiás, do Rio Grande do Norte, do Pará e de Minas Gerais – só a PM mineira comprou 10 mil unidades delas em abril  –, além da Polícia Rodoviária Federal no DF.

Recentemente, algumas polícias adquiriram, ainda, a munição multi-impacto, que, além de gás lacrimogêneo ou pimenta, leva internamente múltiplas esferas de borracha que se dispersam quando a arma é lançada. Desde a Copa das Confederações, o modelo foi comprado pelas polícias de MG (mil unidades), Rio de Janeiro (500), Pará (260), SP (120), Ceará (120) e Rio Grande do Norte (50).

PM contém protesto com bomba e bala de borracha em Salvador (Foto: Arquivo Pessoal)
Jovem mostra ferimento de bala de borracha
em protesto na Bahia (Foto: Arquivo pessoal)
Munição de tinta
As PMs do Rio de Janeiro, do Distrito Federal e do Maranhão pediram autorização para comprar munição de tinta não lavável (normalmente vermelha). A reportagem do G1procurou as corporações para comentar o uso de armas de tinta, multi-impacto e com múltiplas cargas de lacrimogêneo, mas não obteve retorno.

Segundo o ex-comandante da PM paulista, a escolha de qual tipo de munição não letal usar depende das características de cada tropa, do treinamento e da situação.

"A grande variedade de intensidade nas cargas, dimensões e tipos ocorre porque cada arma tem uma função específica, dependendo da ocasião. Vários condicionantes – como vento, chuva, se o local é aberto ou fechado, a quantidade das pessoas e a disposição delas, e a distância [dos manifestantes] em relação aos policiais – interferem na escolha de um ou de outro", diz o coronel Camargo.

"THEY'RE STEALING YOU!" BY ANDREW JENNINGS.

"ELES ESTÃO ROUBANDO VOCÊS!" POR ANDREW JENNINGS

FONTE: http://apublica.org/2014/05/eles-estao-roubando-voces/

Em livro recém-lançado no Brasil, o jornalista britânico Andrew Jennings desnuda farsa de ingressos da Copa e avisa: os brasileiros estão pagando por uma Copa que só trará lucro para Fifa e patrocinadores. Confira aqui a entrevista e trecho do livro em primeira mão.

“Conseguir um ingresso para a Copa do Mundo é ganhar na loteria”, resume o jornalista britânico Andrew Jennings, parceiro da Pública, ao falar de seu novo livro “Um jogo cada vez mais sujo”, lançado no Brasil no dia 5 de maio pela Panda Books. A FIFA novamente é o alvo das investigações de Jennings, desta vez focada na distribuição de ingressos por sorteio anunciada para os torcedores que, segundo ele, esconde um mundo de negócios sujos, mercado negro e troca de favores. O repórter também revela outro negócios ilegais que enriqueceram dirigentes da FIFA, incluindo os brasileiros Ricardo Teixeira (ex-presidente da CBF e do Comitê Organizador Local) e João Havelange (ex-presidente da CBF e da FIFA).

 Andrew Jennings revela esquema ilegal de venda de ingressos para a Copa do Mundo (Foto: o.canada.com)
Andrew Jennings revela esquema ilegal de venda de ingressos para a Copa do Mundo (Foto: o.canada.com)
Com um estilo descontraído e irônico, Jennings conta quem são os irmãos mexicanos Jaime e Enrique Byrom, donos do grupo Byrom PLC, acionista majoritário da Match Services  e da Match Hospitality, prestadoras de serviço para FIFA. São eles que controlam todos os negócios relacionados a ingressos, acomodações e hospitalidade nas Copas do Mundo da FIFA. E fazem mais: no livro, o jornalista prova que nos mundiais da Alemanha, em 2006, e da África do Sul, em 2010, os Byrom forneceram ingressos para o vice-presidente da FIFA Jack Warner vender no mercado negro em troca de votos que os favoreciam no Comitê Executivo da FIFA.
Jennings recebeu e-mails do advogado dos Byrom, ameaçando processar jornalista e editora, mas não pretende se calar. “Eu disse que se eles continuassem, ia publicar os documentos”, contou o jornalista em entrevista à Pública em que detalha os negócios ilegais relacionados aos ingressos e os motivos que fazem da Copa do Mundo um pote de ouro para a FIFA e os patrocinadores sem trazer benefícios para o torcedor.
Capa do novo livro de Andrew Jennings "Um Jogo Cada Vez Mais Sujo" (Foto: Reprodução)
Capa do novo livro de Andrew Jennings “Um Jogo Cada Vez Mais Sujo” (Foto: Reprodução)
No livro você mostra os negócios entre os irmãos Byrom e o vice-presidente da FIFA Jack Warner nas Copas de 2006 e 2010. Em linhas gerais, como esses negócios funcionam?
Existe um mundo negro que os fãs do futebol não conhecem, que é o mundo dos negócios de ingressos. Há 209 associações nacionais de futebol na FIFA, como a CBF, no Brasil. Algumas são bem honestas, mas a maioria não é. As associações nacionais pedem ingressos aos Byrom, que os fornecem em nome do Blatter [presidente da FIFA] e da FIFA. Os negociadores de ingressos do mercado negro vão até essas pessoas em diferentes países da África, da Ásia, alguns da Europa – especialmente os do antigo bloco soviético – e conseguem os ingressos com eles.
Em 2006 na Alemanha, eu revelei que eles estavam vendendo milhares e milhares de ingressos para Jack Warner, que agora está sendo forçado a sair da FIFA. Foi uma grande história, uma grande confusão, e eles fizeram isso de novo em 2010! O Warner, [presidente] da União Caribenha de Futebol, solicitou ingressos [por e-mail] mas copiou um negociante na Noruega! Então os Byrom sabiam que Jack estava comprando deles em nome do cara na Noruega. E eles copiam a correspondência para a FIFA e para a Infront, empresa do Philippe Blatter [sobrinho do presidente da entidade]. Então todos eles sabem o que está acontecendo.
Na Alemanha eles tiveram muito lucro, mas na África do Sul esse mercado entrou em colapso porque ninguém queria ir para lá. É por isso que o escritório de ingressos dos Byrom estava entrando em contato com o Jack e com a Noruega, dizendo: “se vocês não mandarem o dinheiro logo, nós cancelamos seus ingressos”. O Jack Warner estava comprando os ingressos em nome do cara do mercado negro na Noruega e os Byrom precisavam dar ingressos para ele porque ele controla pelo menos três votos no Comitê Executivo da FIFA: se Jack,  quer ingressos, ele ganha ingressos. E o que ele dá em troca é que ele e os amigos votam em você para que você consiga todos os contratos dos ingressos.
O que nós não sabemos é: que outros membros do Comitê Executivo ganha ingressos nessa escala?
Os Byrom conseguem os ingressos por meio do contrato que a FIFA tem com a Match?
Não, a Match é hospitalidade. Existem três diferentes contratos entre os Byrom e a FIFA. Um é para os 3 milhões de ingressos para todos os jogos que vocês vão ter no Brasil nos próximos meses. Esses ingressos são para pessoas como eu e você ficarmos nas arquibancadas de concreto gritando e torcendo pelos times. Outro é para acomodação, porque nós estrangeiros e vocês brasileiros de outras cidades que precisam de um lugar para ficar. Então os Byrom reservam uma grande quantidade de quartos, perto da Copa do Mundo percebem que não venderam todos e começam a se livrar deles.
A terceira coisa é a Match Hospitality, da qual os Byrom são acionistas majoritários, da qual o Philippe, sobrinho do sir Blatter, tem 5% e outros grupos também têm ações… A Match é responsável pela hospitalidade, que são aqueles grandes e caros camarotes de vidro nos estádios, todos novos, pagos, em sua maioria, pelos contribuintes. Tem muito dinheiro na hospitalidade. Eu acho que vai ser um desastre porque essas pessoas não vão vir, mas isso é outra questão.
O que os pacotes de hospitalidade oferecem e para quem eles são vendidos?
Você pode ver no artigo eu fiz para a Pública: A hospitalidade é um bom translado para o estádio, muito espaço, comida, bebidas…Você é pode comprar até as mais luxuosas suítes hospitalidade com uma parede de vidro para que você possa assistir um pouco do jogo de vez em quando, quando você não está fazendo negócios. Onde você não precisa se misturar com as pessoas comuns. Imagine ficar no mesmo terraço que todos esses brasileiros? Urgh.
Está tudo no site deles, com preços astronômicos. Quem compra esses pacotes são pessoas muito ricas que levam seus amigos; executivos; e empresas que levam seus melhores clientes ou seus melhores vendedores, como uma espécie de prêmio. O alvo é o mercado corporativo, é uma hospitalidade corporativa.
Os contribuintes pagaram por esses camarotes de vidro luxuosos, mas vocês não podem comprar esses pacotes. Você pode ter sorte na loteria e conseguir um ingresso para ver um jogo, mas não vai ter dinheiro para esse camarote a não ser que seja um brasileiro muito rico do mundo dos negócios.
A FIFA argumenta que a Match ter o controle exclusivo das vendas de ingressos e de pacotes de hospitalidade impede vendas não autorizadas. Isso é verdade? Por que é interessante para a FIFA manter esse esquema?
Isso é uma besteira. Os Byrom controlam todos os ingressos. Você vai no site da FIFA e encontra todo tipo de lixo sobre impedir as vendas não autorizadas, o que é ridículo, porque todo ingresso vem da porta do fundo dos Byrom. Eu não consigo imprimi-los, você também não. Muitos ingressos são impressos na última hora, porque agora nós não sabemos que time vai jogar na segunda fase e em qual estádio.
Então você ouve um monte de lixo sobre como você deve comprar deles, se não você pode ter o ingresso rasgado na entrada do estádio. Se você compra exclusivamente dos Byrom ou de seus amigos, você vai entrar. Mas o Warner estava comprando ingressos para outras pessoas! Ele não queria 5 mil ingressos para ele assistir à Copa da Alemanha, era para colocá-los direto no mercado!
A FIFA diz que está policiando esse mercado paralelo de ingressos, mas não está. É como um padre que olha para o outro lado!
E os líderes da FIFA também lucram com esse esquema?
Nós não podemos provar. Eu valorizo muito os documentos. Eu ouço histórias, vejo como Jack Warner se safou com milhares e milhares de ingressos, será que outros líderes da FIFA fazem negócios semelhantes? É legítimo fazer essa pergunta, mas nós não temos prova.
Os Byrom controlam todos os ingressos para a Copa do Mundo no Brasil. Os parceiros comerciais deles aqui são o Grupo Traffic e o Grupo Águia, que, como você mostra, tem ligações comprovadas com a CBF e o Ricardo Teixeira. O que isso sugere?
No caso dos ingressos, o Teixeira forçou os Byrom a terem parceiros brasileiros para que seus amigos pudessem ganhar uma fatia. Por isso esses grupos têm alguma ação. Você encontra as referências à Traffic se olhar os relatórios do senador Álvaro Dias [relatórios finais da CPI da CBF, elaborados em 2001]  (volume 1 –  volume 2 – volume 3 – volume 4).
Isso significa que o povo brasileiro está excluído. Vocês estão pagando pela Copa do Mundo e para vocês é dito que os ingressos vão ser distribuídos de forma justa. Aí você descobre que todo tipo de atividade ilegal relacionada aos ingressos está acontecendo.

Baixe aqui um trecho exclusivo do novo livro de Andrew Jennings “Um jogo cada vez mais sujo” 


No livro, você faz uma analogia entre a pilha de ingressos para a Copa do Mundo e um iceberg, mostrando que apenas a ponta está disponível para os torcedores, enquanto, embaixo d’água, o resto é vendido por meio de negócios ilegais. Então, o documento em que a FIFA explica a distribuição dos ingressos é falso?
Sim, porque existe um mercado negro. E se você está comprando um ingresso de mercado negro, ele pode vir de um país africano, ou de outro lugar. A FIFA fala sobre a ponta do iceberg, mas o fato é que existe um outro mundo sombrio embaixo da superfície, onde existe um imenso mercado de ingressos.
Qual é a chance de um brasileiro que ama futebol assistir o Brasil jogar no estádio na Copa do Mundo?
Gaste o seu dinheiro em uma televisão. Eles não colocam todos os ingressos na loteria! Você não pode acreditar nos gráficos, porque não há como checá-los! Os Byrom têm todas as estatísticas! Você pode checar o que o governo está fazendo, porque você consegue os números, mas os Byrom não precisam publicá-los. Se eles dizem que 100% dos ingressos estão na loteria, você nunca vai provar que isso não é verdade.
Segundo o jornalista, dirigente da FIFA vendia ingressos no mercado negro (Foto: Marcello Casal Jr/Abr/ Reprodução Portal da Copa)
Segundo o jornalista, dirigente da FIFA vendia ingressos no mercado negro (Foto: Marcello Casal Jr/Abr/ Reprodução Portal da Copa)
O ingressos do mercado negro são vendidos apenas para pessoas ricas ou para pessoas comuns também?
Pessoas como Jack Warner comprariam ingressos, mas ele os venderia para empresas que os colocariam em pacotes com vôos e acomodação. Se você fosse um turista na Copa do Mundo da Alemanha ou da África do Sul, você viajaria no vôo que eles reservaram, ficaria no quarto que eles reservaram. Mas você olharia no seu ingresso e veria que em vez do seu nome, nele está escrito “Fred Smith”. Todo ano você ouve que eles vão checar os passaportes, mas eles nunca fazem isso. Isso faz parte da farsa de dizer que se você não tem seu nome no ingresso, você está em apuros. É uma grande mentira.
O Ricardo Teixeira e o João Havelange (ex-presidente da CBF e da FIFA) têm relação com esse esquema?
O que nós sabemos é que antes de forçarmos o Teixeira a sair, eles estava no Comitê Organizador Local, que fazia de tudo: ingressos, estádios… Eu não sei qual fatia o Havelange ainda consegue. Ele tem 96 anos. Mas Ricardo estava lá desde o começo. Ele preparou tudo, os negócios, tudo que tinha a ver com a Copa. Nós o forçamos a sair apenas por escândalos externos, ele não esperava por isso. Então você pode atribuir a ele tudo que está errado com a Copa, porque antes dele sair, todos esses contratos já estavam sendo arranjados, não são contratos novos. Ele diz que não tinha controle sobre o que estava acontecendo. Ah, por favor…
O que você descobriu sobre o Ricardo Teixeira?
Eu investiguei as propinas dele na Suíça e os relatórios  do Álvaro Dias [da CPI da CBF]. As investigações nos relatórios provam que Teixeira é um grande ladrão. Eu li todas as 500 mil palavras com a ajuda do Google Tradutor [risos]. Você tem que fazer um ato muito criminoso antes de entrar em uma máfia. Eu estaria errado se dissesse que a FIFA deu a Copa do Mundo para o Brasil. Isso é besteira. Blatter deu a Copa do Mundo para o Teixeira. Não a FIFA, o Blatter. São coisas diferentes.
A FIFA é uma máfia, uma família de crime organizado. No livro, eu mostro que ela não é uma organização legítima. Os líderes são ladrões, eles dividem tudo entre eles e estava na hora de dar ao Ricardo a sua Copa do Mundo. A CBF estava falida  e isso provou ao Blatter que Teixeira era justamente o tipo que ele queria para organizar a Copa do Mundo.
Que pessoas e organizações lucram com a Copa do Mundo?
Vocês contribuintes pagam por ela. A FIFA consegue lucrar com a bilheteria. Todos o dinheiro da FIFA vem da Copa do Mundo, é sua grande fonte de renda. Nos outros torneios: futebol feminino, sub-17, sub-21, eles perdem dinheiro. Mas eles precisam fazê-los para mostrar que são inclusivos. O Valcke prevê que a FIFA vai ganhar US$ 2,7 bilhões com a Copa, os brasileiros ficam bravos e ele responde: “Mas nós estamos colocando tanto dinheiro de volta”. Isso não é verdade. Quando um quarto de hotel é alugado, isso não é colocar dinheiro, é alugar um quarto de hotel!
Os patrocinadores, como McDonald’s, Visa, Samsung e outros conseguem uma maravilhosa isenção fiscal de 12 meses pela “lei da FIFA”. O Romário lutou contra ela, mas a Dilma forçou sua aprovação. A isenção fiscal para eles é um fardo para vocês. Se eles não pagam os impostos, vocês pagam. Eles estão roubando vocês! Essas empresas, como a Coca-Cola e a Samsung, estão vendendo produtos e não há impostos! Não tem motivo! Se eu for começar uma empresa em São Paulo, eu tenho isenção fiscal? Não, não tenho.
Então a Copa do Mundo é um pretexto para eles lucrarem?
Eu acho que nós poderíamos ter um campeonato mundial de futebol sem eles. Nós não precisamos desse nível de pessoas não transparentes só se preocupando com eles e com seus associados comerciais. Só o dinheiro da venda dos direitos televisivos, que você conseguiria legitimamente, é suficiente para pagar pela Copa do Mundo. As emissoras pagam uma fortuna para transmitir. Você não precisa de negócios por baixo dos panos com patrocinadores ou isenções fiscais especiais.
Saiba mais:

MOBILITY: THE LEGACY THAT DID NOT COME.

MOBILIDADE: O LEGADO QUE NÃO VEIO.

FONTE: http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Noticias/Mobilidade-o-legado-que-nao-veio/


Levantamento do Greenpeace mostra que os gastos com estádios da Copa dispararam, enquanto investimentos em projetos de mobilidade urbana minguaram

zoom
Investimentos em mobilidade despencaram, enquanto custos dos estádios incharam.
Dos mais de 60 projetos de mobilidade urbana prometidos entre 2010 e 2013 para as cidades que vão sediar a Copa do Mundo, mais de um terço foi riscado da lista, sobrando 42 empreendimentos. Isso significa que quase R$ 3 bilhões deixaram de ser investidos no setor em obras para o início do Mundial. Já os recursos destinados aos estádios seguiram caminho oposto: dos R$ 5,6 bilhões previstos inicialmente, o número saltou para mais de R$ 8 bilhões. O levantamento foi feito pelo Greenpeace, com informações públicas disponibilizadas pelo governo federal no Portal da Copa.
Os dados foram retirados da Matriz de Responsabilidade, um documento assinado em janeiro de 2010 por governadores e prefeitos das 12 cidades-sede. Nele, se comprometeram com planos de investimento e ações que iriam melhorar a infraestrutura das cidades em vários aspectos, como segurança, telecomunicações e mobilidade urbana. A última atualização do documento oficial é de novembro de 2013. Mas de lá para cá, veículos de imprensa vêm noticiando que a conta dos estádios já beira os R$ 9 bilhões.
“Quando o Brasil foi anunciado como país-sede do maior evento esportivo do mundo, uma antiga promessa voltou à tona: com a Copa, viria o legado da mobilidade urbana. A um mês da bola rolar, milhões de brasileiros continuam esperando essa promessa em metrôs e ônibus abarrotados e caminhando ou pedalando por vias absolutamente precárias”, critica Barbara Rubim, coordenadora da campanha de Clima e Energia do Greenpeace.
Os números das cidades
O legado que não veio pode ser visualizado nos dados. Em 2010, por exemplo, Porto Alegre anunciou, na Matriz de Responsabilidade, 13 projetos para melhorar sua mobilidade. Três anos depois, 11 empreendimentos já estavam fora da lista. De R$ 1 bilhão prometido, apenas R$ 16 milhões estão virando infraestrutura que vai ficar pronta até a Copa. Já os custos com o estádio Beira-Rio quase triplicaram: foram de R$ 130 milhões para R$ 330 milhões, com 85% financiados pelo governo federal.
Em Manaus, a situação é ainda pior. Dos dois empreendimentos de mobilidade urbana previstos para a cidade – num total de R$ 1,5 bilhão –, nenhum vai sair do papel até o início dos jogos. Já o estádio Arena Amazônica, construído com 40% de recursos estaduais e 60% de financiamento do BNDES, teve seus custos ampliados em 30% entre 2010 e 2013: de R$ 515 milhões, o valor foi para R$ 669,5 milhões.
Os custos para colocar de pé a Arena Fonte Nova, em Salvador, também incharam. Inicialmente orçado em R$ 591,7 milhões, o estádio já custa mais de R$ 669,5 milhões aos cofres estaduais – mais da metade levantado por financiamento federal. Já os recursos para projetos de mobilidade minguaram entre 2010 e 2013. Se no início a previsão para o setor era de R$ 567,7 milhões, hoje não passa de R$ 19,5 milhões.
“A discrepância entre os gastos com estádios e com mobilidade demonstram uma inversão de prioridades em que mais uma vez a população sai perdendo. A mobilidade nas cidades continua emperrada e nada democrática”, diz Barbara Rubim, do Greenpeace. “O país está perdendo mais uma oportunidade de atacar um de seus grandes problemas estruturais. Os resultados negativos disso superam de longe os investimentos necessários para oferecer à população transporte público de qualidade e infraestrutura adequada para ciclistas e pedestres”.
Enquanto as emissões de gases estufa do setor brasileiro de transportes crescem sem freios – foram 143% de aumento entre 1990 e 2012 – as mudanças climáticas mostram sua face. Secas no Sudeste, enchentes no Norte e outros eventos climáticos extremos ao redor do mundo causam tragédias, afetam milhões de pessoas dão incontáveis prejuízos e indicam que estamos caminhando na contramão.
“Quando a Copa passar, os problemas vão continuar. Já passou da hora de os governos saírem das promessas e encararem de frente uma demanda que está colocada muito claramente pela população. Os brasileiros não merecem ficar horas no trânsito todos os dias, esperar por metrôs e ônibus lotados e pedalar por vias precárias”, diz Barbara. “A imobilidade urbana que temos atualmente faz mal para a população e para o clima do planeta”.

Para baixar os gráficos com os dados, clique aqui.

World Cup 2014: The Tatu Canastra Opens the Game!

Copa 2014: O Tatu Canastra Abre o Jogo!

FONTE: https://www.youtube.com/watch?v=f5MAmmyBaEw

Uma crítica ácida e bem humorada sobre os fatos que giram em torno da Copa do Mundo 2014.

World Cup 2014 - Tatu Canastra Opens the game - An acidic critique and good humored of the facts that revolve around the World Cup 2014.

Produção: POAemMovimento e Mafia Kick
Direção e Roteiro: Leonel Braz
Direção de Imagens e Edição: Jai T Junior
"Tatu Canastra" por Nubia Quintana